Durval Rodrigues Rosa: um mito e uma saga para ser escrita

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Aracaju/SE – Existem pessoas que escrevem seu nome e sua história com tinta de ouro no livro da vida. Durval Rodrigues Rosa foi um desses homens. Homem da lida bruta com berço humilde, o menino que viria tornar-se Prefeito de uma cidade pobre no Alto Sertão de Sergipe teve a vida marcada por lutas e conquistas. Poço Redondo que não era berço, passou a ser casas e morada.

Das margens do Opará – rio São Francisco -, onde a caatinga, as serras e o calor do Sol produzem a têmpera no homem, Durval ali nasceu, foi criado, amadureceu, tornou-se varão, construiu sua vida e depois foi plantado em cova de terra, no lado de Alagoas de onde se originou. Ainda moço residiu no Povoado Cajueiros, município de Poço Redondo, Sergipe. Dificuldades de vida, família crescendo arribou vou, rompeu seis léguas e foi dá nas terras de Zé de Julião. Deixou para trás seu velho berço, a Fazenda Angicos, da famosa passagem de Virgulino Ferreira, o Lampião. Levou consigo filhos, esperança e coragem. Fez amizade e negócios e assim ganhou reputação de homem de bem. Em pouco tempo já era pequeno comerciante e entrou na política tornando-se uma referência em Sergipe. Foi Prefeito e dois dos seus filhos lhe seguiu os passos na política, João Rodrigues Rosa e Ivan Rodrigues Rosa. A palavra de Durval era firme, era como um rochedo do mar ou lajeiro de pedra?  Seja como for, definiu sua marca com pela palavra e bondade.

Eu vi Durval Rodrigues Rosa e vi depoimentos sobre ele: “Caminhei muitas vezes e matei minha fome na casa de Duvá”, “Seu Duvá tem palavra. Pode fazer negócio com ele”, “Homem que nem seu Durval não nasce mais”, “Me ajudou e matou minha fome”, “Era muito enraivado e ficava vermelho quando se chateava”, “Na casa de Durval como cem pessoas se chegar”, “Eu voto em quem Durval mandar, até em uma porca”, “Durval tinha que morrer assim, de infarto, a morte não enfrentava ele”, “Era homem de trabalhador, não esperava por ninguém”, “Nunca vi ninguém desafiar Durval”, “Morreu uma grande liderança de Sergipe”, “Poço Redondo ficou de luto”, “Dona Dionélia e seu Durval foi Deus que uniu. Só fizeram o bem ao povo que chegava em sua casa”.

O menino que nasceu em 18 de agosto de 1920 atravessou seu tempo observando as mudanças. Viu a substituição das canoas de toldas, que tanto navegaram de Piranhas/AL até a foz do São Francisco – Propriá -, dos carros de bois e carroças gemendo na estrada batida de terra e do Sol escaldante do sertão pelo motor que impulsionou o progresso; o lampião substituído pela lâmpada elétrica e a vida moderna que chegou com velocidade. Viveu seu sertão com intensidade em sua plenitude, dificuldades e alegrias e com sua coragem espalhou a semente da esperança pelo chão. Ao ser Prefeito de Poço Redondo fez o melhor que pôde,  a pobreza e a necessidade era o que mais lhe comovia. Alegrou-se e entristeceu, pouco o viram assim. Cravou seu nome na história local que os mais humildes conheceram e relatam até os dias de hoje. Foi presente em todas as políticas, desde que entrou nela e teve ao seu lado uma legião de pessoas que lhe acompanhavam nas eleições, amigos que se tornaram fãs. Viu de perto a entrada do regime da Ditadura Militar e sua saída para em seguida contemplar as Diretas Já. O tempo de Durval foi o do sacrifício do homem que vivia no sertão sem as condições até que o século 21 o alcançou ainda forte como uma Baraúna ou Aroeira, mais propriamente um verdadeiro Angico.

Os sonhos que Durval plantou não envelheceram. A esperança do lugar evoluir é uma mensagem que atravessa o tempo e ele já a encontrou assim, por isso administrou o município naquele tempo de parcos recursos, de necessidades que não eram e nem são efêmeras, com sua capacidade de liderança e bondade. Do homem que surgiu das margens do rio São Francisco ficou a lição de que é possível fazer algo e deixar um legado para o futuro onde o nome seja lembrado para sempre com a verdade plantada e sob o olhar da História.

O Centenário de Durval Rodrigues Rosa é uma data para ser comemorada pelo valor que ele tem para a História social e política do lugar, mas acima de tudo a de um homem que oriundos das necessidade e conseguiu ser uma referência como cidadão e político.

É digno de uma biografia em livro. O homem, o Mito e sua Saga.

Por Adeval Marques

Texto sem correção.

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