Opinião: Candidatura de Rafael Sandes não foi surpresa

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“Tenho medo e não confio em alguns que compõe a equipe de Iokanaan.” Frase de um político local.

Para quem vive nos bastidores da política, munido de informações e sabendo como está o tabuleiro da política local, o lançamento da pré-candidatura de Rafael Sandes não foi uma surpresa. Há muitos dias que já se sabia e ela vinha sendo costurada há meses. Para quem não conhece o cenário político, pode ter sido surpresa e até espetáculo.

A verdade é que as opiniões estão muito dividas quanto ao posicionamento relatado por ele em duas entrevistas. É evidente que trata-se de um direito de Rafael em pleitear a candidatura, natural por qualquer cidadão apto, entretanto, poderia discorrer no momento da sua entrevista mostrando a intenção perante o eleitorado e assim sairia com o nome de sujeito simples, imagem que construí na atual administração na condição que lhe foi dada de Secretário. Não o fez. Foi mal assessorado e o dividiu o que poderia ser uno. “Portas abrem e se fecham…”

As opiniões dividas mostram claramente que Rafael detonou parte do cartucho e que o alvo é a administração municipal, a mesma que lhe deu todas as condições para que ele desenvolvesse o trabalho que fez nesses três anos e só agora vomitou o que detinha dentro si. O Prefeito Iokanaan não admitiu ficar refém de ninguém e nem ser obrigado a absorver goela abaixo uma candidatura. Quem de fato tem as rédeas na mão?

Ao denunciar que “pessoas da administração sentiam-se incomodadas com seu trabalho”, Rafael não só foi abstrato como generalizou e colocou na mesma vala comum até mesmo seus simpatizantes. Usou todo o vernáculo para passar a condição de vítima e, numa manobra muito conhecida da politica, tentou influenciar a opinião pública a seu favor e fragilizar a antiga casa onde morou, dormiu e comeu por três anos, aliás, calçando e vestindo. Há quem faça todo tipo de leitura e, uma delas, é de que o professor tem poder de arguição para fazer do momento um lançamento que não fosse o know show em cima de algumas situações que deveriam ter ficado “atrás da porta ao sair de casa”. Deselegante foi pouco, classificaram, mas há também há quem aprove sim.

Em uma conversa recente com o prefeito, a discussão da saída estava em voga e em certo momento do calor do diálogo os ânimos subiram e o novo Secretário de Educação, Alberto Amorim, usou a frase: “Em política não se fecha a porta, se encosta.” Essa mesma frase Rafael usou em uma de suas entrevistas, ele mostra com isso que existe possibilidade de diálogo com o Prefeito Iokanaan, a quem protegeu e outras vezes bateu, nas entrevistas. Fica claro que existe esperança em reatar. . Ao relatar que poderia ser atacado fica claro que ninguém poderá dizer nada sobre o assunto, outra estratégia know show.

Alhures em análises, alguns da política afirmam Rafael entra na política como alguém que pega um ônibus na estrada que já está cheio de passageiros e quer entrar de primeira sentar-se do lado da janela. Não é assim. Tem que pegar a fila, ir ao final da Marinete – ônibus – e tentar uma cadeira, mas que há espaço no ônibus que, embora as cadeiras estejam ocupadas e mesmo cheio de “passageiros”, tem espaço para mais um, em pé ou sentado no corredor.

É merecedor de respeito, mas precisa fazer uma introspecção, pois todas as condições foram dadas para Rafael desenvolver o trabalho em equipe. Todo o investimento foi público do município ou federal. Houve empenho da equipe e carta branca de Iokanaan para o desenvolvimento na política de Educação. O alumbramento do momento que se pensou no lançamento da pré-candidatura foi sufocado pelo estilo meditado, trabalhado e executado naquele momento. Se foi transparente, como afirmou na entrevista com o radialista Patrício Lessa, poderia ter aplacado parte da dor que sente e esperar o julgamento das ruas e assim, quem sabe, ter a “porta ainda encostada”. Gratidão é um princípio da Justiça.

Certo mesmo é o que o site escreveu ainda no final de 2018 sobre esse momento por alguns que agora se concretiza. Essa opinião é uma análise sem interesse ou inclinação em afirmar que o caso clássico de Brutus na antiga Roma ainda existe em nossa sociedade.

O que sempre digo: “Chegue leve como o vento e todos o acolherão, se vier como fogo, todos de ti correrão.” Bem que o momento poderia ser outro.

As inúmeras fontes desse artigo estão preservadas.

Por Adeval Marques

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