Pessoas estão sendo vendidas pela internet: mercado de escravos

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Nesta sexta-feira (31), a BBC News trouxe à tona uma parte obscura da internet: o mercado de escravos. A equipe descobriu, por meio de uma investigação secreta na Arábia, que trabalhadores domésticos estão sendo comprados e vendidos ilegalmente on-line em um mercado negro em expansão. Parte do comércio foi realizada no Instagram, de propriedade do Facebook, onde as postagens foram promovidas por meio de hashtags impulsionadas por algoritmos e as vendas negociadas por mensagens privadas. Outras listagens foram promovidas em aplicativos aprovados e fornecidos pelo Google Play e pela App Store da Apple, além dos sites das próprias plataformas de comércio eletrônico.

“O que eles estão fazendo é promover um mercado de escravos on-line. Se Google, Apple, Facebook ou qualquer outra empresa estiver hospedando aplicativos como esses, eles deverão ser responsabilizados”, disse Urmila Bhoola, relatora especial da ONU sobre formas contemporâneas de escravidão. A BBC conta que depois de ser alertado sobre o assunto, o Facebook disse que havia proibido uma das hashtags envolvidas. Google e Apple disseram que estavam trabalhando com desenvolvedores de aplicativos para evitar atividades ilegais.

Acontece que nove em cada dez lares do Kuwait têm um trabalhador doméstico — eles vêm de algumas das partes mais pobres do mundo para o Golfo, com o objetivo de ganhar dinheiro suficiente para sustentar sua família em casa. A BBC conversou com 57 usuários de aplicativos e visitou mais de uma dúzia de pessoas que estavam tentando vender seus trabalhadores domésticos por meio de um aplicativo popular chamado 4Sale. Basicamente, quase todos os vendedores confiscaram os passaportes das mulheres, confinando-as na casa, negando folga e dando pouco ou nenhum acesso a um telefone.

Milhares de mulheres são compradas e vendidas ilegalmente como empregadas domésticas

Ao falar com os vendedores, a equipe disfarçada frequentemente ouvia linguagem racista. “Os índios são os mais sujos”, disse um deles, descrevendo uma mulher sendo anunciada. A equipe infiltrada da BBC foi convidada pelos usuários do aplicativo, que agiam como se fossem os proprietários dessas mulheres. Durante essa investigação, um homem que procurava demitir a mulher, chegou a afirmar: “Confie em mim, ela é muito legal, ela ri e tem uma carinha sorridente. Mesmo que você a mantenha acordada até as cinco da manhã, ela não reclamará”. Ele disse à equipe da BBC como os trabalhadores domésticos eram usados ​​como mercadoria: “Você encontrará alguém comprando uma empregada por 600 KD (US$ 2 mil, o equivalente a R$ 8,3 mil) e vendendo-a por 1.000 KD (US$ 3,3 mil, o equivalente a R$ 13,7 mil)”.

Este mercado de escravos on-line não está acontecendo apenas no Kuwait. Na Arábia Saudita, a investigação encontrou centenas de mulheres sendo vendidas no Haraj, outro aplicativo popular de commodities. Havia centenas mais no Instagram. Na maioria dos lugares do Golfo, os trabalhadores domésticos são trazidos para o país pelas agências e depois registrados oficialmente no governo. Os potenciais empregadores pagam uma taxa às agências e se tornam o patrocinador oficial do trabalhador doméstico. Sob o que é conhecido como sistema Kafala, uma empregada doméstica não pode mudar ou deixar seu emprego, nem sair do país sem a permissão de seu “patrocinador”.

Fonte: BBC News

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