Pelo menos 3 mil peixes, com peso entre 300 e 700 gramas, foram lançados ao Rio São Francisco na manhã da terça-feira (24 de setembro) na orla lacustre de Propriá (SE). O peixamento, promovido pela empresa Aquicultura Santa Clara, teve o objetivo de desenvolver junto aos pescadores da localidade o sentimento de pertencimento e de relação afetiva com o Velho Chico.


Representante da empresa Aquicultura Santa Clara e membro do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), José Bonifácio Valgueiro, explicou que foram lançadas espécies nativas do São Francisco, a exemplo do curimatã, carí, pirambeba e piau, além do tambaqui, espécie predadora do mexilhão dourado, um molusco com grande capacidade reprodutiva e de impactos ambientais, problema que vem se tornando comum em algumas áreas.

Para Bonifácio, o fortalecimento da ligação afetiva entre os pescadores e o rio é essencial para a sua manutenção. “É de grande importância esse tipo de ação. Os pescadores precisam entender que necessitam do rio, pois dependem dele para sobreviver. Além disso, é importante acrescentar a participação da Deso [Companhia de Saneamento de Sergipe], na doação de mudas que estão sendo plantadas na margem do rio em Propriá. São ações relativamente pequenas, mas de grande impacto em favor do Velho Chico”, relata Bonifácio Valgueiro.

A data foi escolhida por ser estratégica para a vida lacustre. É que esse período antecede a chegada das águas provenientes do período chuvoso da bacia do São Francisco. “Esses peixes passarão por um período compreendido entre 30 e 60 dias para a adaptação para receber a água nova proveniente do Alto São Francisco. Foi uma ação de grande importância para a sobrevivência do rio e para fortalecer essa relação afetiva”, explica Heráclito Oliveira, membro do CBHSF e que acompanhou de perto todo o trabalho de peixamento e participou do plantio de algumas das mudas doadas pela Deso na margem do rio.


Veja as fotos da atividade: 


Secretária da Câmara Consultiva Regional (CCR) do Baixo São Francisco, Rosa Cecília dos Santos atuou diretamente na mobilização da comunidade para prestigiar o peixamento. “Trouxemos pescadores não apenas de Propriá, mas também de Porto Real do Colégio [município alagoano], e representantes do poder público, porque o rio São Francisco é um ecossistema diferenciado, pela sua importância, motivo pelo qual precisa da atenção de todos”, resume Rosa.

Proprietário de um pequeno estabelecimento localizado na orla lacustre de Propriá e pescador, Vanderson Marques, o Vando, não perdeu a oportunidade de participar do peixamento e com um sorriso no rosto comemorou a iniciativa. Segundo ele, pelo menos 150 pescadores dependem do São Francisco na região. “O pescador é o dono do peixe, é o dono dessas mudas plantadas na margem do rio, é o responsável por manter e preservar essa maravilha da natureza para todos nós”, diz. Para ele, a iniciativa é de grande importância, mas ressalta que a categoria já tem certa consciência quanto a preservação.

Como quem ainda só pensa em brincar e aproveitar as belezas naturais, Lucas Vinícius, de 14 anos, confirmou que o momento é de alegria. “Porque quando a gente vê tantos peixes sendo jogados assim, sabemos que o rio está vivo, né? Isso é bom”, considera ele.

Durante o peixamento, um grupo de jovens praticantes da modalidade de caiaque da região participou e anunciou o interesse em trabalhar pela revitalização do rio. O grupo, chamado Caiaqueiros do Baixo, deverá buscar apoio do CBHSF para intensificar o trabalho.

Assessoria de Comunicação CBHSF:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Delane Barros
*Fotos: Edson Oliveira

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