(Ednaldo, o prefeito ausente)

Os gritos abafados da indignação de um povo sofrido, enganado, traído, não vencem a distância que separa o município, para reverberarem além da terra desprezada, plantando uma tênue esperança de que algo venha a ser feito contra a omissão, a indolência e a rapacidade que se instalaram na Prefeitura de Canindé do São Francisco.

O prefeito Ednaldo, por inexperiência, incapacidade ou comodismo, logo que assumiu a prefeitura após a morte do prefeito Orlandinho Andrade, entregou a gestão municipal à advogada Kátia Siqueira. Dizem, os que conhecem a referida senhora que a sua carência de conhecimentos jurídicos contrasta com a imensa capacidade que tem de ultrapassar todos os obstáculos éticos, e assim, desde março de 2017, vem montando com requintes mafiosos, uma rede de interesses pessoais interligados, que lhe permite, além de comandar o fluxo de caixa do município, ampliar seus tentáculos por todas as secretarias, nomeando, demitindo, mandando, e sobretudo desmandando.

A advogada apropriou-se do município, o prefeito apenas lhe obedece, e nisso se torna igualmente cúmplice das trampolinagens que acabaram por transformar a Prefeitura no covil odiado, onde se acomoda um pequeno grupo que pensa em muitas coisas, ilícitas, de preferência, menos, nos interesses do município e do seu sofrido e humilhado povo.

A arrecadação de fato caiu. Diversos fatores contribuíram para isso.

Quando iniciou-se o mandato de Ednaldo, e, consequentemente, as reinações de Kátia Siqueira, o município já sofria os efeitos da queda de receita, que despencara de uma média de 11 milhões ao mês para algo em torno de 7 milhões, mas, iniciou-se uma vagarosa recuperação, para chegar-se hoje a uma média superior a 8 milhões mensais.

Quando Heleno Silva encerrou o seu mandato, sendo substituido por Orlandinho que, doente, morreria 4 meses depois, o limite prudencial para despesas com os salários fora ultrapassado, mas estava em torno de 60 %.

Ednaldo elevou essas despesas para quase 80%. Houve nomeações excessivas de contratados, alguns, privilegiadíssimos, no gabinete do Prefeito, onde poucos comparecem, a começar pelo próprio chefe do executivo municipal.

Essa ausência de responsabilidade fiscal ocorre, porque, segundo voz corrente, instituiu-se no município a “rachadinha”, e há o dedo da ex-Procuradora, que preferiu exonerar-se para manobrar tudo sem ocupar cargos, o que lhe pareceria talvez, ser um bom álibi, no caso de ser levada algum dia a prestar contas dos seus notórios feitos.

Enquanto isso, o sistema de ensino municipal perdeu nesses quase três anos algo próximo a mil alunos. Por desídias sucessivas acumuladas nesse período, onde se incluem escolas péssimas, estradas intransitáveis, merenda escolar deplorável, calendário escolar descumprido, houve a evasão escolar que, por sinal, é a mais elevada entre os 75 municípios de Sergipe. Ao lado, em Poço Redondo, onde existe prefeito, aconteceu o inverso: o número de alunos aumentou quase mil vezes, metade deles de Canindé, transferindo-se para lá, onde há estradas transitáveis, e melhores escolas. A outra metade foi absorvida pela rede pública estadual, ou escolas particulares em reduzida proporção.

Na saúde aconteceu o mesmo processo degenerativo na qualidade de serviços prestados. Médicos, enfermeiros, todos enfim, completam esta semana dois meses sem receber salário, e os contratados estão chegando aos cinco meses. Nos postos de saúde faltam remédios, até iodo e esparadrapo. O Hospital é algo calamitoso, e as pessoas fogem para o atendimento em Poço Redondo, ou em Paulo Afonso na Bahia, até para suturar um corte.

No hospital inacabado, um elefante branco que se arrastou e parou há quase dez anos, estavam armazenados alguns equipamentos hospitalares. Semana passada encostou no prédio que se deteriora um caminhão baú, e logo desapareceu com

o que havia lá dentro, inclusive um equipamento nunca utilizado de Raio-X, que poderia ter sido deslocado para o hospital antigo. Um episódio a mais do desgoverno carente de responsabilidade.

A conta de combustíveis é elevada, e se manteve a mesma, sem alterações, até quando parou a frota de ônibus nas alongadas férias forçadas; quando reduziu-se o serviço de caminhões-pipa com a chegada das chuvas. Para ambulâncias paralisadas ou sucateadas ainda se compra gasolina. O mesmo acontece com máquinas patrol, carregadeiras, caçambas, tratores, tudo sendo sucateado, ou nas oficinas, esperando que paguem pelos consertos, mas, permanecem “consumindo” combustível. E como queimam óleo diesel….

Por irregularidades permanece fechado o Matadouro Municipal, causando graves transtornos na comercialização e no abate do gado. O Hotel da Prefeitura que funcionava irregularmente e não fornecia notas, nem recebia cartões de crédito, agora foi fechado, e os funcionários ficaram sem receber.

Terrenos pertencentes ao município estão sendo transferidos a particulares, e a transação é “legalizada” com a interferência de quem tem “poder” para isso, e não é a Câmara de Vereadores.

No prédio da Secretaria de Ação Social, raramente alguém entra em busca de apoio, faz tempo, todo o atendimento está praticamente suspenso.

Semana passada a Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado da Saúde fez uma fiscalização no lixão do município, após receber graves denúncias. Em Canindé, percorrendo o lixão, a equipe técnica constatou entre outros absurdos criminosos o descarte de lixo hospitalar no local, onde estão crianças junto com adultos que catam lixo. O desleixo da Prefeitura é tão calamitoso que permitiu porcos engordando com carniça para depois serem abatidos doentes, e sua carne vendida à população. No rio São Francisco, é despejado o chorume pestilento que escorre da lixeira contaminada. O relatório já foi entregue ao Secretário da Saúde o médico Valberto de Oliveira Lima pelo chefe da Vigilância Dr. Ávio Britto, e deverá ser remetido ao Ministério Público.

Ou seja, para resumir: Não há Prefeito em Canindé, e no buraco desocupado que surgiu, criou-se um caso de polícia.

A situação é de completa calamidade pública no que diz respeito à administração, mas, o futuro do município é promissor. Canindé continua sendo o segundo polo receptor de turismo de Sergipe. Manoel Foguete e outros empresários de menor porte, montaram uma infraestrutura que, aliada às características da exuberante natureza, está gerando emprego, e fazendo com que o número de turistas cresça exponencialmente.

Em Canindé vai ser instalada a quinta maior usina fotovoltaica do mundo. Segundo o executivo, do grupo, o engenheiro Joaquim Ferreira começa a montagem começa no próximo ano.

Mas a Prefeitura não pode continuar sendo um foco de atraso, de desmandos, e objeto de suspeições, uma instituição apodrecida, num município que precisa receber o oxigênio da inovação, do empreendedorismo, e de ter lideranças capazes de representa-lo nessa nova etapa que se inicia.

Talvez, haja um remédio que é drástico, mas absolutamente necessário. Um impeachment do prefeito está tendo seu trâmite legal já concluído. Na próxima semana haverá a votação. Nove, dos onze vereadores são favoráveis ao afastamento do prefeito, e os dois restantes dizem que irão se abster, ou não comparecerão à sessão.

Pesquisas revelam que mais de 90% da população desaprovam o prefeito, e consideram perniciosa a influência da advogada que o manipula.

Luiz Eduardo Costa

SEM COMENTÁRIOS

Deixe uma resposta