A Expedição Científica Amigos das Águas, uma iniciativa apoiada pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), completou 30 anos em 2019. O objetivo dessa empreitada, que entre os dias 6 e 8 de setembro, percorreu um trecho de aproximadamente 150 quilômetros, de Três Marias a Pirapora, em Minas Gerias, é de avaliar a qualidade das águas do Rio São Francisco e seus afluentes, bem monitorar a poluição e dejetos de metais contaminantes que podem comprometer a qualidade da água e causar a mortandade dos peixe.

A cada descida os expedicionários registram aspectos positivos e negativos e assim, a expedição ganhou um caráter científico! Esses dados são convertidos em ações benéficas ao rio, seja numa campanha educativa de conscientização ou numa discussão mais ampla, sobre a qualidade da água e recuperação da mata ciliar.

São registros como o de Adelson Toledo de Almeida da Associação dos Municípios da Bacia do Médio São Francisco – AMMESF e membro do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF). Aos 70 anos ele é um apaixonado pelo rio e observador nato, por isso, um detalhe chamou atenção dele na descida deste ano. “Ficamos focados na quantidade de peixe, porém observei que a cor da água em alguns trechos esta turva, neste período do ano era para estar clara num tom esverdeado. Teremos que esperar a análise da água, para saber se está dentro da normalidade”, avaliou Adelson.

Parceiro da expedição o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Pirapora é um dos responsáveis pelas coletas e análises das águas do Velho Chico. A cada ano os colaboradores captam água em pontos diferentes, com o intuito de ter vários parâmetros de comparação e um vasto material, tanto qualitativo quanto quantitativo. “É um trabalho bastante técnico, com registros fotográficos e coleta de amostras de água. Em cada ponto analisamos 16 parâmetros diferentes”, explicou o biólogo da autarquia, Patrick Nascimento Valim.

De acordo com Valim, o rio aparenta estar se recuperando em alguns trechos, principalmente em virtude da melhoria da qualidade da água dos afluentes. “Ano passado vimos muitos bancos de areia e praias formadas, isso aconteceu pela baixa vazão do rio, menos que 300 m³/s. Este ano não vimos isso, pois a vazão aumentou para 470 m³/s. Temos que ressaltar que com mais água, o rio consegue diluir mais os poluentes. Outro dado positivo é que este ano não encontramos peixe morto pelo trajeto. Observamos também que a turbidez do rio Abaeté, afluente do Velho Chico, estava baixa. Não era uma turbidez alta, como em anos anteriores, isso pode ter ocorrido devido as melhorias de condições em toda a bacia do rio Abaeté. Mas, tudo isso só será comprovado com os resultados das análises das águas que coletamos”, observou o biólogo do SAAE.


Veja as fotos da expedição:


História com o Velho Chico

Os expedicionários Amigos da Água são apaixonados pelo Velho Chico! A missão deles de cuidar, preservar e defender o São Francisco é a mesma de 30 anos atrás, quando três amigos decidiram navegar por essas águas, nascendo assim a Expedição.

As histórias dos participantes também são inúmeras. Na memória uma biografia vai sendo escrita. Uma história montada a partir das observações de cada um.

O agrônomo, Paolo Sequenzia, faz a descida há quatro anos. “Percebemos que o São Francisco anda sofrendo em alguns trechos. Muitos não respeitam a Área de Proteção Permanente (APP), por isso, a importância dessa expedição, pois é uma forma de monitorarmos o rio, observando os aspectos negativos e positivos, além de ser uma oportunidade de analisarmos as águas do Velho Chico e dos afluentes”, explicou o agrônomo.

Segundo Paolo, todos os registros feitos na expedição geram um relatório anual. “Temos uma compilação de dados ambientais que é fundamental, pois o rio São Francisco é magnífico, todo ano ele está diferente, muda uma curva, aparece uma ilha, por isso, é importante ter um olhar ambiental, para entendermos se essas mudanças são por motivos naturais ou ações do homem”, disse Sequenzia.

O paisagista e ambientalista Mac Donald Morais, coordenador da expedição, finalizou a empreitada bastante contente. “Este ano estou muito feliz, pois tinha água em abundância para navegar durante todo o percurso. Encontramos muitos pássaros, o que é sinal que tem peixes nas partes rasas para a alimentação deles. Esses cardumes de piabas são um bom indicador da recuperação do rio”, apontou Mac.

O coordenador também observou que em alguns trechos a mata está com um aspecto melhor. “Ainda existem áreas degradas com nada de mata ciliar, porém, vimos matas com um aparência bem melhor, devido ao aumento do nível do rio, que fez o lençol freático chegar até a vegetação rasteira e arbustos, que normalmente ficam com um aspecto feio. Agora é aguardar os resultados das análises das coletas de água feitas pelo SAAE. Será uma oportunidade de acabarmos com as especulações e desinformações sobre a chegada do rejeito de Brumadinho no rio São Francisco, em especial no trecho de Três Marias à Pirapora”, finaliza Mac.

Assessoria de Comunicação CBHSF:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Tiago Rodrigues
*Fotos: Tiago Rodrigues

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