O conselho de Diógenes Brayner para o senador Alessandro Vieira: “Perplexidade com Alessandro”

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O jornalista Diógenes Brayner faz uma análise em sua coluna Plenário (11/09) sobre o momento em que o senador Alessandro Vieira (Cidadania) é agraciado com Título de Cidadão Sergipano e na ocasião ignorou a presença de autoridades no local. Nada inteligente por parte do senador e motivo de perplexidade. Experiente no acompanhamento da história política, o jornalista achou rude o gesto e aconselhou.

Confira abaixo:

“Os comentários de ontem na Assembleia Legislativa e adjacência foram o jeito de ser do senador Alessandro Vieira (Cidadania). Não havia qualquer tipo de revolta, mas de indignação. O senador é gaúcho, foi delegado em Aracaju por anos e elegeu-se com uma votação que nem ele esperava. Tudo certo. O Título de Cidadão Sergipano também, mas ignorar as presenças de autoridades do Estado, como o próprio governador, os presidentes da Casa, do Tribunal de Justiça e do Ministério público, além dos parlamentares que lhes deram o título, excede na ignorância, na arrogância ou na vaidade.

Alessandro simplesmente não citou o nome de ninguém. Fez um discurso seco, sem emoção e recebeu o título como se fosse obrigação por ele ser senador e ainda não mostrar a que veio aos sergipanos. Talvez haja exagero aqui no comentário. O senador tem se revelado vigilante nas questões que se referem a por a limpo o que existe nos porões da corrupção, mas em benefício para Sergipe ainda não acenou e nem mostrou interesse em realizar. Esse gesto de indiferença à dignidade do título chocou a quem esteve na solenidade. Inclusive alguns parlamentares, que pensaram em deixar o auditório.

Alessandro tem surpreendido com ações no Senado, principalmente com a “CPI do Lava Toga”, que tem o objetivo de investigar instâncias superiores do Judiciário, principalmente o Supremo Tribunal Federal (STF). Tem dificuldade em conseguir 27 candidaturas, mas vai insistir nesse objetivo, como se fosse em defesa de sua honra. Analisando bem, é bom que se passe tudo a limpo, mas é necessário que retire a máscara de justiceiro e liberte-se da atividade de delegado, exercida por ele com mérito. Tem que incorporar o mandato político, continuar “duro, mas sem perder a ternura jamais…” como ensinou Che Guevara.

Alessandro tem que aprender a sorrir, a ter o remelexo do político que está sempre de bem com o povo. Ser sociável, saber ouvir, acenar e mudar o estilo rude que nem sempre significa dignidade. Se pretende manter-se político, inclusive com avanços em seu mandato, que não demonstre um autoritarismo careta, conservador e até sem princípios. Não se pode negar que o seu desempenho no Senado, embora direcionado à Brasília apenas, sugere um futuro político próspero, popular. Entretanto, tem que ser flexível no trato com as pessoas comuns, com as autoridades e, principalmente, com aqueles que podem lhe garantir o voto.

Alessandro tem dois caminhos: ou muda e se torna simpático, ou retorna às delegacias para tratar mais diretamente dos bandidos comuns, não menos perigosos dos que ele fica frente a frente nos seus caminhos em Brasília.” – Diógenes Brayner

Foi um verdadeiro conselho. As observações de Diógenes são equilibradas. O velho guardião do bom jornalismo fez a analise como se fosse uma espécie de avô que vê em um neto um futuro brilhante mas que, alguns valores postos na juventude, são prejudiciais para o curso da vida e na concretude de objetivos. Além de analisar a situação e aconselhar ao jovem senador, Diógenes fez previsão.

Por Adeval Marques
Com escrita da coluna Plenário, de Diógens Brayner.

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