Sérgio Lucas escreve: FORRÓ E CANGAÇO

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O fenômeno do cangaço, que assolou o Brasil na primeira metade do século XX e cujo desfecho se dera em 1938, com a morte de Lampião, Maria Bonita e mais nove integrantes do Bando, na Grota do Angico, então município de Porto da Folha/SE, atualmente Poço Redondo, do mesmo estado, deixou suas marcas, também na cultura musical.

Os menos iniciados imaginam ora que a indumentária do pioneiro Luiz Gonzaga é a veste típica do vaqueiro, ora que seja a vestimenta do cangaceiro. Na verdade é uma junção: o gibão, espécie de casaco de couro, é roupa de proteção daquele que lida com o gado. Já o chapéu é obra da engenhosidade de estilista e costureiro de Lampião.

Fácil diferenciar: seria impossível percorrer grandes marchas – rotina dos cangaceiros – com um pesado casaco que serve para proteger os vaqueiros dos espinhos da caatinga quando em perseguição às reses. De outro lado, aquele chapéu enfeitado e grande seria inútil para os lidadores com gado, porquanto se enganchariam nos mesmos espinhos e galhos retorcidos da vegetação.

A vestimenta dos bandoleiros é a inspiração para as quadrilhas juninas do nordeste.

Bem, mas voltemos à música: o xaxado “Mulher Rendeira” e a marchinha “Acorda Maria Bonita” são umbilicalmente ligados ao cangaço. Ambas foram gravadas por Antonio dos Santos, o cangaceiro de alcunha Volta Seca, em 1957, no disco Cantigas de Lampião.

Mulher Rendeira, embora registrada no ECAD por Alfredo Ricardo do Nascimento, o Zé do Norte, tem a sua autoria atribuída por pesquisadores ao próprio Lampião. Seria uma homenagem à sua avó materna, dona Jacosa. (Sorte de quem registrou que ele não estava vivo para reivindicar os seus direitos!).

Essa música era cantada pelos cangaceiros até mesmo durante as suas investidas e combates, como, segundo reza a história, teria ocorrido quando da tentativa frustrada de invadir Mossoró/RN, em 1927.

Acorda Maria Bonita teria sido composta nos início dos anos trinta, logo após o ingresso de Volta Seca no grupo cangaceiro. É uma marchinha carnavalesca. Contudo, diversas são as suas versões para o forró.

Sérgio Lucas, sergipano,
Juiz de Direito, Compositor, Poeta, Cantador e Escritor.

Foto: arquivo

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