RÉQUIEM PARA GONZAGÃO (Sérgio Lucas)

0
27

Em dois de agosto, tempo de desgosto, como se diz lá no norte.
Notícia de morte: apagou-se uma luz, mas fez-se uma estrela.
E a chama da fogueira, findou-se logo após o mês de Santana.
Lágrimas brotaram, e na terra calou-se a voz da sanfona.

E a asa branca, sem seu trovador, perdeu-se de casa.
O chão feito em brasa molhou-se com o pranto dos órfãos sentidos.
E todos os ouvidos se voltaram ansiosos pr’onde se põe o sol.
E os céus, lá no além, se abriram com o réquiem do pai do forró.

Assim se foi o homem e em seu lugar surgiu o mito.
Lá no firmamento, na eterna morada se fez um clarão.
E hordas celestes dançaram quadrilha no azul do infinito.
E o mundo escutou a quadrilha marcada pelo rei do baião.

Brilhando mais alto, representa o nordeste em sua nova saga.
Com bênçãos divinas, seguindo sua sina, canta Luiz Gonzaga.
Quando o sertão sorri, sorri pelos lábios de Seu Luiz.
Quando ribomba o trovão, ecoa a voz de Gonzagão.

Quando pia a juriti, lembra os trinados de Seu Luiz.
Xote, xaxado e baião são filhos do rei, nosso rei, Gonzagão.

 

SEM COMENTÁRIOS

Deixe uma resposta