Governo mantém velha política: Estado de costas para o Baixo São Francisco

0
70

Que o Governador Belivaldo Chagas faça a nova geopolítica

É nítido que, enquanto a região Sul do Estado cresce em investimentos, capitaneados por uma política de atenção do Governo do Estado, especificamente em Nossa Senhora do Socorro, Estância, Lagarto, região de Itabaiana, Nossa Senhora da Glória e outras, o Baixo São Francisco, composto por mais de dez municípios, torna-se o “maior bolsão de miséria do Estado de Sergipe.” A fase já virou um jargão popular.

Confira o vídeo comentado por Adeval Marques

 

Onde estão nossos representantes do Estado? Quem os cobra na região e em Propriá? Existe planejamento estratégico para o Baixo São Francisco?

De costas para o povo da região, o Estado é o principal agente promotor da propagada, por ele mesmo, da dita miséria que assola o Baixo São Francisco por falta de uma política de atenção e planejamento geopolítico. Agindo assim, dá o atesto para incompetência ou ingerência administrativa, além de desatenção. A CODISE, principal órgão responsável por uma política de planejamento voltado ao desenvolvimento das micro regiões, nada apresenta para o momento. Enquanto isso, os municípios citados da região Sul, são atraídos pelo Estado com inúmeras vantagens. Outro fator é que, sendo a bancada da Assembleia Legislativa composta por maioria de deputados desses lugares, e o consequente número de eleitores sendo nessas regiões, os políticos buscam assim gerar emprego, renda e qualidade de vida aos seus munícipes. Os governos e a velha política acabam por ceder atenção. Enquanto isso, o Baixo São Francisco e Propriá especificamente, maior eleitoral da região, não trabalha para eleger um representante. É o que vai reforçar a linha de pensamento quando se diz que o “O Baixo São Francisco está imerso em solidão”. Quando essa rota mudará?

Em 1600, século 17 (XVII), após massacrar os índios que viviam em Sergipe e fundar a cidade de São Cristóvão, o Capitão Cristóvão de Barros se fez dono das terras do Baixo São Francisco e distribuiu outras do Estado aos comandados seus que financiaram a empresa para a chamada de “Guerra Justa”. Anos depois, ao partir para Bahia, fez doação delas ao seu filho, Manoel Cristóvão de Barros. Ele sabia do potencial da região e previa que se desenvolve-se como assim foi na época. Propriá então surgia dois séculos depois como maior condado da região, era então a conhecida Urubu de Baixo e logo Freguesia de Santo Antônio do Urubu de Baixo. Em 1800 já era cidade próspera em população, referência de comércio e economia pujante, a segunda economia do Estado após Aracaju, até meados de 1960. Deu seus primeiros passos ao declínio em 1970 e acentuou algumas décadas seguintes entrando em “solidão” para permanecer até os dias de hoje. De rica e próspera, a região se transformou em “Maior bolsão de miséria do Estado”, propagado pelo próprio Governo do Estado com “base em estudos demográficos.” O absurdo é que a informação deveria ser para tomada de solução e não de irresponsabilidade e incompetência. Desatenção, incompetência, sem planejamento, inércia e leniência. Não há outros qualificativos.

Na Roma antiga, em 56 a.C, época em que Imperador Júlio Cesár, General Marco Antônio e o imortal orado, Cícero, o planejamento alcançava as províncias mais distantes levando qualidade de vida de modo que o povo fixa-se em suas regiões. Já era um trabalho de geopolítica e os exemplos estão por lá até os dias de hoje. O saudoso Marcelo Déda, exímio orador e ex-governador do Estado de Sergipe era uma esperança, mas, pouco se fez aqui… ele também promove a política de desatenção de Albano Franco, João  Alves, Valadares e Jackson Barreto, seu sucessor, deu continuidade… Aliás, todos os governadores ficaram de costa para essa região que tem cultura, história e potencial de turismo e uma população que, se antes foi chamada de trabalhadores, agora é tida como “miseráveis!”. Revoltante e motivo de reflexão.

Por conseguinte da desatenção do Estado, agrava-se e minora-se o PIB – somação de todas as riquezas produzidas por um povo; um verdadeiro êxodo na região vem acontecendo há mais de 30 anos com seus filhos buscando a região Sul e outros lugares fugindo da miséria, da falta de oportunidades e qualidade de vida. Somos o que chamam de “lixo humano”. Merecemos isso? Merecemos ser qualificados de “miseráveis”?

Que Belivaldo Chagas, líder maior do Estado  enquanto Governador,  entenda que  Baixo São Francisco é carente de atenção e se está “miserável” é por pura incompetência e desatenção dos seus administradores, locais e do Estado.

Esperamos mudanças na condução administrativa de geopolítica.

Por Adeval Marques
Foto: Arte Propriá News

SEM COMENTÁRIOS

Deixe uma resposta