Em 2019, no dia 7 de fevereiro, Propriá completa 217 de sua Emancipação Política. A Princesinha do Baixo São Francisco, como é carinhosamente conhecida, possui uma das histórias mais belas e antigas do Estado de Sergipe.

O surgimento de Propriá enquanto território da conquista de Sergipe pela Bahia está ligado à instalação de São Cristóvão quando, na dobra de 1590, o Capitão Cristóvão de Barros chega em Sergipe, mata e escraviza os naturais do local, aprisiona o Cacique Serigy e funda a cidade-mãe de Sergipe. Em seguida distribui as terras conquistadas aos que lhe acompanharam e doa ao filho, Manoel Cristóvão de Barros, a faixa de terra que começa na Cotinguiba com extensão de 40 léguas até Canindé de São Francisco.

Foto de 1870 de Propriá

Manoel Cristóvão de Barros fracassa em sua empreitada e falece na Bahia deixando Dona Guiomar viúva e herdeira das terras. Após o falecimento dela fica como herdeira a sua filha que, também falecendo, seu esposo, Pedro Abreu de Lima, herda as terras e cede aos carmelitas e jesuítas. Com o passar dos anos seu filho mais velho, Pedro Gomes de Abreu, já como novo herdeiro, foi morar na região mais baixa do morro. O lugar cresceu tanto que dom Sebastião Monteiro da Vide, determinou que a povoação se transformasse em freguesia, libertando-se de Vila Nova do São Francisco, hoje Penedo. Surge então a Freguesia de Santo Antônio de Urubu de Baixo (1718), época da instalação da Paróquia de Santo Antônio de Urubu de Baixo.

Em 1º de agosto de 1800, Antônio Pereira de Magalhães e Paços, que era ouvidor geral e corregedor da Comarca de Sergipe d’El Rei, apresentou um pedido ao capitão-general e governador da Bahia, dom Fernando José Portugal, para que transformasse a freguesia Freguesia de Santo Antônio de Urubu de Baixo em Vila, acontecendo um ano depois em 7 de fevereiro de 1802. Esse fato foi acompanhado com instalação de um pelourinho de pau redondo em frente a Igreja de Santo Antônio como sinal de autonomia da Vila. Nasce então a a Vila de Propriá, assim chamavam os naturais porque aqui já farta a pescaria da espécie Piau.

Já em 1857 a Vila de Propriá era administrada por um Intendente. Ela tinha então 40 léguas de terra e passa a ficar com 14 após o surgimento da Freguesia de São Pedro de Porto da Folha quando, em novembro de 1807, Antônio Gomes Ferrão de Castelo Branco, registrou seus títulos imobiliários na Câmara de Propriá, declarando ser de 30 léguas a extensão de suas terras, o que ficou também conhecido por Morgado de Porto da Folha. Esse fato é colocado pelos historiadores da linha da “Escola de Annalises” como o “grande golpe” porque Porto da Folha levou Canindé, Poço Redondo, Monte Alegre, Glória, Gararu, Itabi e parte de Canhoba.

Quando a alvorada de 1866 chega ao Opará, Propriá recebe a visita de Dom Pedro II, primeiro imperador do Brasil, juntamente com sua esposa, a imperatriz Tereza Cristina pelas águas do Rio São Francisco. Ele seguia uma Agenda cuja missão era a de conhecer parte do imenso Brasil que ainda continuava agrário e seu povo. É nessa ocasião que a Vila de Propriá recebe o Título de cidade. Dom Pedro II então, segundo fontes orais, faz um desenho por onde a ponte da Integração Nacional deveria passar. Propriá vive mais de um século de prosperidade até que, no final do século 19, estaciona e regride drasticamente. Ela teve 27 intendentes e 32 Prefeitos.

Por Adeval Marques
Graduado em História

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