“Conta uma pequena fábula que dois lenhadores fizeram uma aposta para saber quem conseguiria cortar a maior quantidade de madeira durante um determinado tempo. Então combinaram que ao nascer do sol sairiam à floresta para cortar a lenha e, ao por do sol, quem tivesse a maior quantidade de madeira cortada seria o vencedor.

Então, no dia combinado eles se encontraram logo que o sol nasceu e se dirigiram para o local da competição. Um deles logo entrou na mata e começou, sem parar, a cortar as árvores que encontrava pela frente com o seu machado. E cortava, cortava, mal tomava fôlego, juntando uma pilha de troncos para apresentar ao final da aposta. O outro cortava e a cada período determinado dava uma parada e retomava o trabalho.

Ao final, aquele que cortou sem parar apresentou uma pilha menor que o segundo lenhador, que dava uma parada após algum tempo de trabalho. Sem entender o que ocorreu, o primeiro lenhador, aquele que cortava sem parar, perguntou ao primeiro: o que aconteceu, eu entrei na mata e passei a cortar a lenha sem parar, enquanto você fez várias paradas durante o dia? O segundo lenhador, aquele que dava uma paradinha de vez em quando, respondeu: Enquanto você cortava a madeira sem parar, gastando a sua energia excessivamente, eu parava para afiar o machado e descansar os músculos, então voltava ao trabalho com as energias renovadas e o machado afiado, por isso tive um rendimento muito superior ao seu”.

Essa pequena fábula nos leva a refletir sobre ações que devem ser tomadas para retomar o desenvolvimento de Propriá, levando-a a uma posição de destaque econômico no Estado, gerando emprego e renda a sua população, pois são várias as promessas e propostas de desenvolvimento, mas com efeitos duvidosos.

Dentro deste contexto surge o MOVIMENTO PENSAR PROPRIÁ, visando discutir os problemas estruturantes do Município, encontrar e apresentar soluções que indiquem caminhos e ações objetivas e duradouras ao seu desenvolvimento econômico e social. Pensar a Cidade, sua cultura, sua economia, a sociedade, educação, saúde, segurança e a sua política, mas política com “P” maiúsculo, Políticas Públicas, envolvendo todos os atores comprometidos com um futuro promissor para Propriá.

Discutir Políticas Públicas é buscar a proteção social para as PESSOAS, é desenvolver capacidades para reduzir as desigualdades, através de programas de saúde que atendam às necessidades locais, da educação inclusiva, do estímulo ao crescimento econômico sustentável que venha a gerar emprego e renda.

Propriá precisa redescobrir a sua vocação econômica e fortalecer ações voltadas para a redução das desigualdades sociais através do estímulo e apoio aos negócios sustentáveis que proporcionem impacto social com responsabilidade ambiental.

Em um primeiro momento podemos, de forma simplificada, fazer uma breve análise das principais atividades econômicas de Propriá, iniciando com a mais tradicional, a rizicultura. E a primeira resposta que precisamos ter é saber como se encontra a situação do nosso produtor de arroz. Saber qual é a contribuição que a atividade vem dando à economia do município na geração de renda e emprego. Quais as suas dificuldades e como superá-las. Apesar da participação da CODEVASF, dos lotes em perímetros irrigados, o produtor passa por dificuldades, o arroz é um produto da cesta básica e como tal sofre o tabelamento do governo, então é necessário produzir com qualidade e eficiência, a baixo custo para que seja possível remunerar adequadamente a quem produz.

Ainda na linha da atividade primária, como alternativa ou consórcio com o arroz, temos a piscicultura que pode trazer bons resultados à economia do município devido a oferta abundante de água do Rio São Francisco. Mas, assim como o arroz, exige capacitação técnica para produção, sem aventuras, identificando-se que espécies são adequadas à região para maximizar a produtividade. Hoje, temos em destaque duas espécies de peixes comercializados, ambas trazidas de outras regiões devido ao valor comercial. A tilápia, de maior valor comercial, não vem dando a produtividade máxima, pois o solo da região não é totalmente compatível com os hábitos do peixe, não permitindo que venham a ter um desenvolvimento comercialmente compatível com a concorrência de outras regiões. O tambaqui, vindo da Amazônia, adaptou-se muito bem, permitindo que o produtor obtenha resultados satisfatórios com a produção, mas ficando a desejar na comercialização, muito restrita e sem valor agregado, com baixo retorno financeiro.

Um produto com alto valor agregado, que pode promover uma verdadeira alavancagem ao desenvolvimento da região com aproveitamento da nossa maior riqueza natural, a água, é a carcinicultura, a criação de camarões em viveiros, mas é uma atividade que exige muito investimento em tecnologia, profissionais capacitados além de profissionalismos na comercialização que deve buscar mercados externos.

Como estamos apenas começando a “Pensar em como Pensar Propriá”, não temos a pretensão de esgotar as propostas de desenvolvimento apenas neste artigo, sendo conhecedores que dentro da atividade primária outras opções também são discutíveis, como a pecuária e a fruticultura. Mas vamos passar a pensar, neste primeiro momento, na nossa atividade secundária, a Indústria.

Olhando apenas para o nosso Distrito Industrial, certamente que desistiríamos de qualquer sonho, pois a situação é desoladora e a imagem é de abandono prevalecendo um lixão a céu aberto. Mais um projeto que não deu certo, e porquê não deu certo? Estamos bem localizados, à margem da maior rodovia do Brasil, a BR 101, a 100km do porto de Aracaju e a 200Km do porto de Maceió. O que aconteceu no passado para não ter dado certo e o que podemos fazer no presente para atrair investidores para Propriá? O que temos a oferecer quando o pêndulo do desenvolvimento retomar o sentido do crescimento? Poderíamos pensar em políticas públicas que incentivassem a criação de pequenas indústrias para beneficiar e agregar valor aos produtos da região, quem sabe o arroz aqui produzido já saísse com uma marca nossa, o peixe devidamente industrializado para o consumidor final. Enfim, estamos apenas iniciando o pensar.

E nos setor terciário, comércio e serviços, como estamos, para onde poderemos ir? Temos uma cidade com um belo patrimônio histórico, localizada às margens do maior rio genuinamente brasileiro e que aqui se expande e tem dimensões respeitáveis, mas o que fazemos para atrair o turista? Estamos preparados em estrutura e pessoal qualificado? Apresentamos o nosso produto lá fora?

A tecnologia é a nova indústria do século XXI, porque não sair na frente e incentivar um parque tecnológico em nossa cidade para atender a região? Incentivar a área da educação, fazer parcerias com escolas para o desenvolvimento de pesquisas e cursos de formação superior. Porque não? E tudo isso começa com uma boa formação básica, com alunos que saiam das escolas primárias e secundárias bem preparados.

É isso caros conterrâneos, se quisermos uma cidade diferente, desenvolvida e que proporcione segurança, emprego e renda ao nosso povo, precisamos pensar com carinho sobre a cidade que temos hoje. Não é só sair por ai cortando a madeira de qualquer jeito, mas primeiro, vamos afiar nossos machados.         

Por Luiz Antônio Sandes
Foto: Arquivo

SEM COMENTÁRIOS

Deixe uma resposta