Quando Noa e mais seis caçadores viram naquela madrugada um grande meteoro viajando em direção ao Sul, ele entendeu que era o sinal para partirem. A grande cauda de luz que foi produzida indicava o caminho a ser seguido e as luzes laterais, interpretadas pó ele, indicavam que haveria abundância de comida. Ao se apagar caindo bem distante, um grande clarão se fez projetando fagulhas para todos os lados. Ali estava o local, mas, Noa disse a si mesmo: “Lugar distante para cobrir, muitas luas para caminhas.” Ele e seu grupo, de 28 pessoas, partiram em duas semanas após os preparativos finais e se foram para nunca mais voltar a se verem enquanto grupos. Era a grande jornada da humanidade, cheia de tantos mistérios.

Por volta de 10 mil antes de Cristo, o continente americano começou a ser habitado por um grupo de caçadores. Era o final da era do pleistoceno. Ninguém habitava as Américas ainda. A natureza exuberante, com animais ferozes, densas florestas, lagos, o mar, montanhas, rios e uma imensa solidão, era tudo que existia. Sobreviver em um ambiente tão hostil, não era tarefa fácil. Noa, um jovem de menos de 30 anos, conduziu seu grupo e permaneceu líder até deitar-se em solo coberto por pedras, juntamente com seus pertences.

Noa era ainda jovem quando liderou seu grupo para América. Era grande caçador, habilidoso, inteligente, tranquilo e firme. Tinha todas os valores que um líder precisa ter para se colocar nessa condição e ser respeitado.

Com apenas 32 anos seu corpo era cheio de fraturas, osso quebrados, arranhões e cortes profundos lhe marcavam. Ele e os demais decidiram separar-se de um grupo maior após divergências e então partiram com suas mulheres, filhos e outros jovens caçadores. Vindos possivelmente da Sibéria, buscavam seguir as grandes manadas de mamutes lanosos, rebanhos de alces, veados e pássaros, percebendo-se que o frio do Sul era o destino dos animais e assim chegaram na América, após anos andando, dormindo e caçando todos os dias em uma busca incessante pela existência e sem projetos firmes. Queriam apenas fazer sue mundo e vivr em um clima menos severo que o gelo siberiano.

Seu grupo ficou conhecido hoje em dia como o povo Clóvis. Eram pálios-índio coletores que tinham por hábito não demorar muito em nenhum lugar. Naquele tempo, a terra era chamada por eles de Gaia, ou, a “Grande Mãe Gaia.”

Entrando no território das Américas, o novo mundo, Noa e seu grupo   procuraram o topo das grandes montanhas onde havia proteção, já que os vales eram habitados pelas feras. Lá das alturas eles observavam as manadas e planejavam os ataques. As habilidades passadas de geração em geração lhes garantiam cometer o mínimo de falhas. Noa, Dua, Coa, Ago, Tar, Ló, Aga, Dac, Tór, Lac e Sá, eram os caçadores mais experientes. Eles também dominavam as técnicas no fazer de pontas de lanças feitas de pedras, a escolha da madeira para as lanças, a identificação das ligas e galhos e resinas para prender as pequenas facas nas lanças e ainda o processo de queima delas. Sabiam ler o cheiro dos animas e seus rastros, identificando-os com facilidade. Olhando para o Céu a noite, conseguiam determinar o curso a ser seguido e marcavam os lugares de acordo com as estrelas. Faziam cores de misturas de plantas e rochas para deixar impresso nas pedras, cavernas e lages, sua passagem e identificação. Pintando animais nas paredes, eles deixavam para a posteridade ou para quando ali voltassem, que tipo viviam ali, inclusive as feras e também outros fatos estranhos. Tinham uma grande memória das coisas e nunca se enganavam. Eram os homens sapiens.

Já naqueles tempos, eles aproveitavam tudo dos animais que abatiam. Suas vestes eram da pele do mamute lanoso, seus preferidos em razão da espessura e os pelos fortes. Dominavam a retirada do mal cheiro dessas peles com cinzas e misturas de casca de pau e ervas ramosas. Possuíam botas e capuzes para proteção, facas feitas de ossos de animas e pedras, verdadeiras obras de artes. Suas tendas eram de chão batido com pedras, troncos de árvores e cobertas de peles de mamutes amarradas aos troncos. Com espaço para 10 pessoas dentro das tendas, o local cabia ainda fogueira e objetos como lanças, mas, preferiam as cavernas. Sabiam pescar, pegar aves e coletar frutas e ovos nos ninhos. Eram evoluídos.

Na espiritualidade existia crença na vida após a morte. Miravam o Céu e admiravam a Lua e Sol. Quando viam um cometa ou meteoro cruzando o firmamento, olhavam em volta e previam acontecimentos sobre suas vidas, caçadas e viagens. Supersticiosos, crédulos e céticos, não se arriscavam em dúvidas. Estavam sempre atentos e desconfiados.

 A montanha em que escolheram para morar ao chegar nas Américas foi uma escolha estratégica dos caçadores. Dela dava para ver o grande vale, um corredor por onde passavam as caças; a posição dos astros, nascimento e pôr da Lua e Sol e também a direção e tipo de ventos. A caverna na encosta, garantia a proteção e mais acima um lago com água fresca e sempre corrente. Havia madeira em quantidade e pedras para as pontas das lanças.

Todo o trajeto até ali havia durado entre três a cinco anos. Dos 28 caçadores que partiram na jornada inicial, apenas Dóz e Zoa, foram os únicos que morreram no caminho e sepultados em covas com pedras sob seus corpos e dentro das cavernas em que viveram até a passagem das chuvas. Dó era jovem e caiu de uma árvore ao coletar frutos e fraturou o crânio morrendo dias depois. Tinha 15 anos e era mulher. Zoa já passava dos vinte anos de idade. Correndo para abater uma ave de tamanho médio, juntamente com outros caçadores que a cercavam, acabou por descer em um grande buraco que estava camuflado por relvas verdes do inverno e ficou espetado em troncos de árvores já mortas. Foi uma morte agonizante de horas intermináveis sem que os amigos pudessem lhe socorrer. Morrendo aos poucos sem poder ser retirado do espeto. E sepultado na grande caverna com sua lança, vestes, faca e seu colar que contava 40 dentes de animas que ele abateu. Era a pontaria mais certeira entre os demais caçadores. Sua ida foi momento de choro e tristeza. Noa, o líder, se manteve firme em seu propósito seguindo as manadas de aves que peregrinam rumo ao Sul. Ainda na viagem da grande jornada, nasceram Ao, Zac, Baá e as meninas, Dad, Ea e Tac. Todos agora andavam e comiam por si mesmos. O grupo agora contava com 32 almas, foram chamados de “O povo de Clóvis”, por serem habilidosos na confecção de pontas de lanças fabricadas de pedras.

Ago, Tar e Ló ficaram de sentinelas naquela noite de Lua cheia. Estrategicamente fizeram três fogueiras bloqueado pontos vulneráveis na entrada da grande caverna e sempre as abastecia para mantê-las acesas. O perigo não dava trégua. Chovia muito e a visibilidade não eras das melhores. No centro da caverna uma fogueira também se mantinha acessa sob os cuidados de Dea, uma das mulheres mais velhas e do fazedor de pontas de lanças, Caa. O vento frio que entrava pela grande boca-porta da caverna fazia as crianças tremerem de frio.

Os turnos eram de duas em duas horas para a troca de sentinelas. Eles de baseavam pelo posicionamento da Lua que um relógio medido por meio da chave da mão, em forma de “L”. Bem perto da troca de turno, Ló, que era muito atencioso, percebeu no Céu um grande clarão circulando de um lado para o outro e em seguida descendo. Os demais também ficaram de olhos arregalados para o fato. O clarão produzido pelo objeto era tão intenso que dava para ver os dedos dos pés e todo o interior da caverna. A coisa descera do Céu e estacionou próximo da entrada da caverna há menos de 30 metros. Tinha formato cumprido e não produzia barulho. Os caçadores ficaram em posição de defesa e começaram a gritar com fúria. Toda caverna estava agora cordada e se perguntando o que era tal objeto. Era uma pequena nave espacial e seus tripulantes estavam ali em estudos. Sem nenhuma explicação, todos do grupo sentiram sonolência e entraram em sono profundo acordando-se no outro dia logo cedo e sem mais a presença da nave.

O local da aterrissagem ficou marcado no chão e aquecido como fogo por algumas horas. Todos do grupo alegavam ter sonhado com o fato e sentiam dores próximas da nuca. Noa convocou um conselho para conversar sobre o assunto e registrou em desenho nas paredes da caverna o fato. Ago, o caçador que tinha um lado espiritual avançado, disse que o objeto vinha do Céu e por isso merecia respeito. Ele foi, talvez, o primeiro homem com dotes para o Xamanismo, quer seja, um conjunto de crenças ancestrais que engloba práticas de magia e evocações para estabelecer contato com o mundo espiritual. “Aquilo não era de Gaia, a mãe terra.”, disse Ago.

Após o dia do acontecimento, os homens e demais do grupo começaram a prestar atenção, mais que o comum, no Céu pela noite. Todos os surgimentos eram registrados e contados enquanto histórias para as crianças ao pé da fogueira. Nas paredes das cavernas eram registrados, em pontinhos ao lado das representações dos caçadores e as caças, objetos pairando sob suas cabeças em forma elíptica ou cumpridas. Foram registrados ainda avistamentos pelo dia e muito mais a noite. A certeza de que a humanidade, desde seus primórdios do homem pré-histórico, estavam sendo visitada, é uma ideia que vem ganhando corpo, estudos, pesquisas e achados, promovendo grandes debates com teses e crenças baseadas em provas, embora existam céticos sobre os assuntos. A Suméria é uma das grandes fontes desses indícios.

Continua…

Por Adeval Marques
Graduado em História
Estudioso sobre o assunto

 

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