Segundo documentos, o cientista He Jiankui teria tido o apoio do governo para promover sua pesquisa

Duas meninas gêmeas geneticamente modificadas podem ter nascido, em novembro do ano passado, com o apoio de três instituições governamentais na China. De acordo com documentos analisados pela revista Stat, o cientista He Jiankui teve apoio do governo do país para violar as diretrizes científicas que são contra o uso de embriões humanos com genes alterados para iniciar uma gravidez — os chamados bebês CRISPR.

Se os documentos estiverem corretos, são provas de que a China está apoiando pesquisas que outros países consideram antiéticas e levantam dúvidas sobre uma investigação do governo sobre a conduta de Jiankui. Até o momento, acreditava-se que o cientista havia agido por conta própria.

“Não acho que He Jiankui poderia ter feito isso sem o incentivo do governo para ir adiante”, afirma Jing-Bao Nie, bioeticista da Universidade de Otago, na Nova Zelândia. “Querem que ele seja o bode expiatório para que todos os outros possam ser inocentados.”

Os documentos examinados pela Stat incluem uma apresentação de slides preparada pela equipe de Jiankui, formulários de consentimento de pacientes em chinês e registro de ensaios clínicos da China que listam três fontes de financiamento para o estudo que levou ao nascimento das gêmeas. Entre eles, estão o Ministério da Ciência e Tecnologia, a Comissão de Inovação em Ciência e Tecnologia de Shenzhen, parte do governo municipal, e a Universidade do Sul de Ciência e Tecnologia, onde trabalhou o pesquisador. No entanto, não está claro se as instituições sabiam como suas doações seriam usadas.

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Para conseguir subsídios na China, os cientistas devem detalhar como usariam o financiamento. Mas é possível que Jiankui tenha usado dinheiro que havia sido dado ao seu laboratório para pesquisas anteriores no estudo dos bebês CRISPR.

A universidade e o governo de Shenzhen negaram qualquer conhecimento sobre o trabalho. Em um e-mail, o Ministério da Ciência disse à Stat que, “com base na investigação preliminar, não financiou atividades da edição do genoma humano”. A comissão de inovação de Shenzhen não respondeu a um pedido de entrevista, nem He Jiankui.

A revista também descobriu que cinco clínicas chinesas de fertilidade estão associadas a vários estudos de edição genética, mas não está claro se algum deles tem relação com o trabalho dos bebês CRISPR.

A discussão sobre a ética no campo da genética da China começou há cerca de 25 anos e, desde então, vem tentando criar leis e lutando para regular o rápido desenvolvimento das biotecnologias.

Fonte: Galileu

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