Valadares Filho não desistiu de ser prefeito de Aracaju

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“Vamos avaliar com muito cuidado, ouvindo partidos e lideranças”, diz deputado

Por Joedson Telles

O deputado federal Valadares Filho (PSB) não desistiu de ser prefeito de Aracaju. O parlamentar não descarta disputar as eleições 2020, mas pondera que a decisão não pode e não será tomada neste momento. “Isso é uma coisa que vamos avaliar com muito cuidado, ouvindo o partido, ouvindo partidos que estiveram junto conosco, lideranças políticas que estiveram com a gente no segundo turno que representam a nova política de Sergipe. Não é uma coisa que vou avaliar de forma breve. Farei com muita tranquilidade”, diz Valadares Filho. O deputado comenta também a entrevista do deputado André Moura (PSC) ao Universo, as duras palavras de Reinaldo Moura nas redes sociais contra ele e o senador Antônio Carlos Valadares (PSB) e ainda assegura ter a receita para fazer oposição ao Governo do Estado e a Prefeitura de Aracaju mesmo sem mandato. “Marcelo Déda, Jackson Barreto fizermos oposição sem mandatos. Seremos fiscalizadores das ações do Estado. Eu não farei uma oposição odienta do quanto pior melhor. Eu farei uma oposição ouvindo a voz dos sergipanos que possam se sentir neste mandato traídos pelas promessas feitas”, diz.  

Já fez um balanço das eleições 2018? 

Sim. A política é uma atividade diária. Não é porque terminou a eleição que você, simplesmente, se desliga daquilo que aconteceu. Fiz uma avaliação muito pés no chão de tudo que aconteceu, não só da eleição em Sergipe, mas da eleição nacional, e pude, dentro de minha percepção política, criar um diagnóstico dos motivos que levaram o resultado eleitoral. Mas eu tenho sempre o lema de aprender com o que aconteceu, verificar onde as coisas avançaram e olhar pra frente. Eu não fico remoendo determinadas estratégias que poderiam ter dado certo, outras deram certo. Eu sempre busco aprimorar aquilo que deu certo e reavaliar aquilo que não deu.

O que não deu certo?

Não cabe, nesse momento, a mim que fui candidato a governador e não vencendo a eleição ficar justificando o resultado das urnas. Eu, nesse momento, quero me concentrar no legado que eu construí enquanto o candidato a governador mais jovem da história de Sergipe, que chegou ao segundo turno. Isso me dá uma responsabilidade muito maior para o futuro, para o fortalecimento do PSB em todo estado, para fortalecer os movimentos sociais do partido, que tem vida no dia a dia. Como presidente estadual, estarei participando ativamente deste movimento, para posicionar cada vez mais o PSB como a maior referência de oposição em Sergipe, já que foi o partido que chegou ao segundo turno. Nossos objetivos futuros em relação à política partidária, que é a vida que eu vou me debruçar de forma mais atenciosa nesse momento, é a prioridade para nosso futuro.

A prioridade, então, é manter o PSB forte para as próximas eleições?

Sem dúvida. Já estou sendo muito procurado, já tenho procurado muito. Claro que, nesse momento do ano, não é a hora de formalizar essas questões. Eu tenho impressão que, a partir de fevereiro, ou março essas conversas serão intensas. Eu serei um presidente estadual como sou hoje deputado: pé na estrada. Sempre fui uma pessoa muito ativa nas andanças políticas e vou continuar desta forma, agora não como deputado federal, mas como presidente estadual do PSB. Farei essas andanças para posicionar o partido politicamente. O povo quis que eu fizesse oposição responsável como farei. Muito firme, democrático e fiscalizador. Disso eu não vou abrir mão. Nosso partido terá os representantes fazendo esse papel importante para democracia e também falando a voz daqueles que não acreditam nesse governo e não confiam na condução deste governo.

Como avalia a colocação do deputado André Moura ao Universo: o senador Valadares ajudou a eleição de Belivaldo e prejudicou a sua? Ele também disse, na mesma entrevista, que faltou mais independência de sua parte no tocante ao próprio senador para conduzir melhor o processo eleitoral…

Eu fui candidato a governador aos 38 anos de idade e fui ao segundo turno. Mais independência do que isso não consigo compreender. Não cabe agora ficar olhando o passado de determinadas situações que aconteceram. Eu tenho muito orgulho de ser filho de quem eu sou. O senador Valadares é um homem com uma vida pública concretizada em Sergipe pela vida ética, pelos serviços prestados, pelo seu compromisso em relação ao povo sergipano. Sempre foi e será um bom conselheiro para a política sergipana. A minha independência fica cada vez mais clara quando eu chego ao segundo turno. Infelizmente, não fomos vitoriosos e sabemos que foram vários motivos que chegaram a este resultado e não adianta neste momento ficar detalhando isso porque vai parecer que eu não aceitei o resultado das urnas e eu sou um democrata e aceitei.

André disse, inclusive, que Valadares Filho até tentou conciliar as candidaturas da oposição, durante uma reunião, mas foi voz vencida pelo senador…

Eu nunca conversei com o deputado André Moura sobre as eleições de 2018, sobre a possibilidade dele ser candidato ao Senado. Eu conversava muito com o senador Eduardo Amorim, que é um amigo, uma pessoa por que tenho admiração, e conversamos bastante sobre as eleições de 2018. Mas com André, para sentarmos e definirmos a formação da chapa, ele opinar, eu opinar, pelo menos com a minha presença, isso não aconteceu. Ele pode ter conversado com o senador Valadares. Não sentamos para formalização da chapa majoritária, em 2018. Conversei por muitas vezes com o senador Eduardo Amorim.

André disse que o senador Valadares não permitiu a sua opinião durante a reunião. Até o repreendeu. Como foi isso?

Quem sabe a relação que eu tenho com o senador Valadares percebe que isso nunca aconteceria. Repreensão em uma reunião política de formação de chapa majoritária? Eu e o senador Valadares podemos ter divergências em determinadas situações políticas, mas nós respeitamos. Esse tipo de situação não aconteceu.

O senhor percebe mágoa em André, pelo fato de não ter havido aliança?

É possível que aconteça isso. Não tenho nada pessoal contra André. Sempre tive muita clareza que a eleição seria muito difícil. Eu nunca coloquei isso pra ele porque ele nunca conversou comigo que seria candidato ao Senado, mas sempre tive uma avaliação pessoal que a eleição pra ele seria muito difícil. Sempre tive uma relação até muito cordial com André como colega parlamentar.

Mesmo com os recursos que ele trouxe para Sergipe, com os prefeitos que acompanhavam ele, ainda assim você enxergava que ele poderia perder?

Não me surpreendeu a derrota dele porque o contexto político nacional contra o governo Temer era negativo, principalmente no Nordeste. Por isso que sempre tive essa convicção.

Como avalia André falar que não se faz acordo em cartório, mas a palavra foi dada?

Eu avalio que eu tenho que pensar o futuro. Eu já deixei claro que a partir do momento que o alinhamento, a entrega por completo ao partido Temer, quando nosso partido discorda das situações, isso inviabilizou a aliança com o deputado André. Não é nada pessoal, mas questão de convicção política. O que ele defende não é o que nós defendemos. Consequentemente, não se tem ambiente para fazer uma aliança política porque se fizesse essa aliança não seria sincero um com o outro. Mas não adianta agora a gente remoer. Defendemos aquilo que pensamos, defendemos na construção da chapa majoritária que montamos uma coerência política e não estou arrependido disso. Houve um contexto político através do Lula no Nordeste. Se você olhar todos os governadores do Nordeste, os que eram mais ou menos bem avaliados ganhavam no primeiro turno e os que eram pessimamente avaliados ganhavam no segundo. Tiveram outros aspectos como a força da máquina, que foi muito utilizada como jamais na história foi utilizada. Havia um cenário político que as urnas confirmaram e eu tenho que respeitar, apesar de discordar da forma como se dá a vitória, mas sou democrático.

Por que não procurou o senador Eduardo Amorim e André no segundo turno para buscar um apoio?

Justamente pelas questões que eu acabei de falar sobre as convicções. Não seria coerente procurar o deputado André Moura porque sabíamos do alinhamento dele com o governo Temer. Não era o que nós pensamos para o futuro do nosso estado e do Brasil. O deputado André Moura não declarou, mas direcionou seus amigos para citar no candidato Belivaldo. Acredito que Eduardo ficou neutro.

E por que não procurou só Eduardo Amorim?

Não o procurei porque eles estavam na mesma composição de chapa. O povo iria interpretar que, naquele momento, poderíamos estar dentro daquilo que o povo mais critica na política que é a coerência. Continuo tendo um ótimo relacionamento com Eduardo. Eduardo votou contra a reforma trabalhista e André votou a favor. Só nisso você vê que eles não têm alinhamento em tudo, e não tem mesmo. Mas, como eles estavam na mesma chapa majoritária desde o primeiro turno, poderia criar uma confusão para a população. Essa questão de transferência de voto não é uma ciência exata na política. Poderia me prejudicar em determinados apoios políticos, principalmente no interior. Eu preferi não deixar nenhuma dúvida para a sociedade em relação ao que defendi.

Há quem diga que, quando houve o rompimento, Eduardo Amorim preferia estar ao seu lado e do senador Valadares, mas “foi obrigado” a estar do lado de André?

Acredito nisso. Acredito que a companhia que o senador Eduardo queria era conosco. Não posso fazer uma avaliação porque foi tomada uma decisão lá atrás. Então, não adianta mais a gente olhar no retrovisor. Mas sempre senti isso. Como eu não fazia parte integralmente do agrupamento político, eu não sei o que pesou no final, mas eu acredito nesta avaliação. Essa é uma avaliação que fazem e eu posso dizer que eu acredito.

No segundo turno, ficou forte o seu discurso que André Moura estava com Belivaldo Chagas. O que lhe dava tanta certeza?

Os amigos, os aliados. Ficou claro isso. Na política de Sergipe, tudo se sabe. Ficou claro quando as pessoas mais ligadas receberam o pedido dele pessoalmente. Mas não tenho nenhuma mágoa disso. Ele tomou uma posição de bastidores. Para o candidato Belivaldo também não era bom o apoio público de André. Eu acredito que houve uma combinação. Eu acho que houve uma conversa. Mas que Belivaldo teve apoio do deputado André em relação a amigos e lideranças eu tenho convicção. Isso falei durante todo o segundo turno. Como se tratou de bastidores eu não posso detalhar. Esse apoio é da política. Eu não estou criticando a posição do deputado André porque ele pode apoiar a pessoa que ele quiser. Eu não tenho nem o que lhe cobrar porque não o procurei e nem procuraria.

O ex-conselheiro do TCE, Reinaldo Moura, tem subido o tom nas redes sociais, principalmente em relação ao senador Valadares. Como o senhor avalia esse tom áspero?

Eu não vou julgar porque ali está falando o pai. Um pai magoado com a derrota, com a situação do filho. Eu tenho muita admiração por Reinaldo Moura. É um homem de personalidade e eu, como filho também de um político, não posso julgar. Eu não considero de maneira nenhuma. É um desabafo de um pai.

Pensa nas eleições de Aracaju?

Eu tenho noção do patrimônio político que eu construí. Sendo um candidato a governador tão jovem, contra a máquina administrativa, contra todo um sistema político ainda atrasado em nossos estado, contra um poderio econômico jamais visto na história, uma candidatura que tinha pouco tempo de TV no primeiro turno e, mesmo assim, chegamos ao segundo. Contra tudo e contra todos, eu tenho noção exata do patrimônio político que eu construí e consequentemente o PSB tem esse respaldo. Eu tenho que administrar esse patrimônio com muita responsabilidade, tranquilidade, construindo o fortalecimento do PSB. Que o partido esteja pronto para as eleições municipais para continuar contribuindo de forma muito direta nas decisões do estado. Em relação a Aracaju, eu não vou pensar nesse assunto agora. Eu sou muito grato ao povo de Aracaju que dividiu a cidade no segundo turno me dando uma votação muito expressiva. Eu devo essa consolidação que grande parte dos aracajuanos confiam nas nossas propostas, mas é o momento de reavaliação e posições políticas que sempre tive. Candidatura do PSB claro que eu vou construir com uma certa antecedência, até porque precisamos montar uma grande chapa de candidatos a vereador porque as coligações proporcionais terminaram. Cada partido terá que fazer sua construção, e o PSB fará isso. Eu estarei na liderança desse processo. Candidatura de Valadares filho a Prefeitura de Aracaju não é uma coisa que eu vou pensar agora. Isso é uma coisa que vamos avaliar com muito cuidado, ouvindo o partido, ouvindo partidos que estiveram junto conosco, lideranças políticas que estiveram com a gente no segundo turno que representam a nova política de Sergipe. Não é uma coisa que vou avaliar de forma breve. Farei com muita tranquilidade.

Valadares Filho bateu na trave em três eleições majoritárias seguidas. Isso é um ponto mais positivo ou negativo?

Acho que positivo. Veja na minha geração se alguém teve tanta coragem e determinação para enfrentar tantos obstáculos como eu enfrentei em três eleições majoritárias? Em 2012, eu fui candidato a prefeito de Aracaju contra um ícone da política que tinha 70% no iniciou de todas as pesquisas, que era o ex-governador João Alves. Quantos tiveram coragem de fazer aquele enfrentamento? Aos 30 anos,fiz o enfrentamento e tive 40% dos votos do povo de Aracaju. Em 2012, contra o Governo do Estado, contra a Prefeitura de Aracaju, mais uma vez, sem uma estrutura de máquina, eu fiz todo esse enfrentamento e dividimos a cidade no segundo turno. Agora, mais uma vez, as pessoas diziam que eu tinha o mandato de deputado federal certo. Mas eu não estaria tão realizado politicamente com a consolidação que o povo de Sergipe me deu, em relação ao tamanho que eu tenho, apesar de ser tão jovem. Eu estaria reeleito deputado federal hoje por conta da conjuntura. Por mais que, a partir de fevereiro, eu não esteja com mandato, estarei debatendo os problemas do estado e de Aracaju com uma bagagem política que me foi dada pelo povo em grandes votações que tive como candidato majoritário. Se a gente ver um exemplos no Brasil, muitos chegaram aos objetivos do Poder Executivo depois de muitas disputas. Você vai tendo a compreensão do povo até que chega. Vejo, inclusive como pessoa, político e como aquele que tem muitos projetos para o futuro, eu vejo minha história política muito positiva. Eu escutava uma entrevista de Ciro Gomes, que já disputou a presidência três vezes, que ele iria ganhar na quarta. Muitos casos como esse no Brasil.

Uma fatia do eleitorado já compreendeu seu projeto…

Isso. Se você olhar as minhas votações, são sempre crescentes maioritariamente. Claro que agora que fui candidato a governador tive a oportunidade de debater com todo o estado. Mas só de ter essa votação crescente em toda eleição demonstra um crescimento político, de uma ideia em que boa parte das pessoas acreditam. Então a gente vai avançando cada vez mais.

Mas uma considerável fatia do eleitor só gosta de votar em quem ganha. O que diria a esse eleitor?

O eleitor sergipano é muito compensatório. Marcelo Déda perdeu a eleição para prefeito de Aracaju duas vezes e virou governador de Sergipe. Déda também teve esse crescimento dentro de derrotas. O povo de Sergipe é compensatório inclusive para dar oportunidade. Chegou o momento de Déda. Um fenômeno político, um homem extremamente preparado, ético e chegou aonde chegou. A política é muito o contexto do momento. Eu estou muito convicto que este momento vai chegar.

Esse discurso de adversários seu que “Valadares Filho nunca trabalhou na vida” lhe prejudica?

Temos um governador eleito hoje que sou foi político. O que ele foi diferente de mim? Belivaldo entrou na vida política pelas mãos do senador Valadares, foi deputado estadual, depois secretário de Estado, vice-governador, secretário de Educação e chegou ao governo. Qual é a diferença? Ele teve a experiência da vida dele na política. Ele é concursado como defensor público, mas nunca trabalhou. Foi nomeado por João Alves. Nem se preparou para fazer um concurso. Eu me preparei a vida inteira para a vida pública. Formei-me em administração de empresas justamente para ter capacidade de gestão e isso eu fiz. Militei na juventude partidária para ter vivência política. Tenho 12 anos como deputado Federal, participei de três eleições majoritárias, presidente estadual do PSB e tive experiência suficiente para colocar meu nome como candidato a governador, sabendo da imensa responsabilidade que eu carregava nas minhas costas. Marcelo Déda teve uma história política brilhante. Militou na juventude, depois foi candidato e foi eleito, depois não foi eleito e foi eleito de novo depois. Não há diferença em relação aos meus críticos. Como não tem o que falar, dizem isso. Não podem dizer que eu sou corrupto, que sou despreparado. Sabem que eu sou uma pessoa muito focada nos assuntos. Eu estive no parlamento brasileiro 12 anos, presidi duas comissões importantíssimas, da integração nacional e de turismo. Quantos sergipanos presidiram comissões? Você conta nos dedos porque não é fácil. Tem que ter articulação e preparo parlamentar para que seus colegas de escolham. Isso é um discurso de quem não tem o que falar. Como eu nunca trabalhei se desde minha adolescência me preparo para vida pública? Não se pode entrar na vida pública como uma aventura. Foi me preparando que eu vivi minha vida inteira e estou preparado para qualquer desafio que a vida pública me coloque.

Como será essa oposição sem mandato?

Vamos reunir o grupo. Eu sou um dirigente partidário. Partidos políticos também fazem oposição. Não precisa ter necessariamente um mandato para se impor como uma oposição coerente. Marcelo Déda, Jackson Barreto fizermos oposição sem mandatos. Seremos fiscalizadores das ações do Estado. Eu não farei uma oposição odienta do quanto pior melhor. Eu farei uma oposição ouvindo a voz dos sergipanos que possam se sentir neste mandato traídos pelas promessas feitas. Vou baixar o diálogo com aqueles que vão compartilhar com a oposição a este governo. É sempre salutar compartilhar com outras agremiações que tenham a mesma linha de pensamento e farei isso, para que, de repente, a gente possa aplicar cada vez mais essa voz em direito aos sergipanos. A atuação diária como dirigente partidário e tendo foco prioritário nas questões do estado me aproximar a mais dos assuntos e das decisões políticas que vamos tomar.

Fonte: Universo Político

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