Esquecido por muitos, lembrado por poucos, João Alves fez história em Sergipe!

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Olhando o cenário político atual do Estado, de uma forma ampla, logo é sentida a ausência de uma das principais lideranças de Sergipe: o ex-governador João Alves Filho (DEM). Enfrentando um problema de saúde no momento, e já com a idade avançada, não é exagero dizer que o “tempo” aposentou o “Negão” da vida pública. E não há como negar que ele faz e fará muita falta para os sergipanos de uma forma geral, tanto para seus eleitores quanto para seus adversários.

João Alves sempre foi muito combativo na defesa dos interesses de Sergipe e da região Nordeste. Ganhou destaque nacional como Ministro do Interior, passou a ser respeitado por grandes lideranças políticas, tinha prestígio como um dos principais “caciques” do antigo PFL (hoje Democratas) e conquistou o respeito de muitos outros quando encampou, praticamente sozinho, uma luta contra a transposição de parte das águas do rio São Francisco para o Nordeste Setentrional. Bateu de frente contra o “democrata” e então ministro Ciro Gomes.

Estudioso, João conheceu de perto experiências de “seca” em outras partes do Mundo e alertou com todas as suas forças sobre o risco que seria a transposição para a sobrevivência do “Velho Chico”, que hoje clama por uma revitalização real. Muito criticado pelos adversários, foi perseguido duramente pelo ex-presidente Lula (PT), chegando a ter seu governo em Sergipe “boicotado” em recursos federais. Conseguiu um “feito” para poucos: trancou a pauta de votação do Congresso Nacional. Câmara e Senado pararam em defesa de João e do seu Estado.

Por mais problemática e traumática que tenha sido sua mais recente gestão a frente da Prefeitura de Aracaju, João Alves ainda assim tem o respeito e a gratidão de alguns sergipanos. Pela importância que teve para o Estado, diga-se de passagem, merecia um reconhecimento bem maior. Mas mesmo nos momentos difíceis de sua trajetória, sempre contou com poucos, mas fieis amigos, e sempre carregou consigo um sentimento invejado por muita gente: destemido, enfrentava um exército sozinho, se necessário!

João Alves Filho jamais “fugiu da raia”! Era um líder político! Horas seguido por uma multidão, horas acompanhado apenas por seus liderados. Foi feliz em algumas “batalhas”; em outras, nem tanto! Enfrentou Albano Franco com o governo nas mãos, foi derrotado; quatro anos depois, deu a volta por cima; em 2006 foi amplamente derrotado por Marcelo Déda (in memoriam). Na eleição seguinte, em 2010, mesmo com todas as forças políticas juntas e boa parte da imprensa trabalhando contra, perdeu “em pé”, por apenas 70 mil votos, surpreendendo na Grande Aracaju.

Quando ninguém acreditava mais, voltou a ser prefeito e, mesmo sob fortes apelos da família, em 2016, sob forte rejeição, foi para o “sacrifício”, para satisfazer aos seus últimos amigos, como líder, elegendo alguns, mas recebendo nas urnas sua mais dolorosa derrota. Hoje o “velho João” foi esquecido pela maioria, por gente que lhe deve muito. A própria família lhe afastou do povo. Argumenta que o preserva. Quis o destino que ele esquecesse muitas coisas. Poderia amargar duras lembranças e a dor da ingratidão. Felizmente há ainda quem o reconheça. Pobre política de Sergipe, que hoje vive na “pequenez do ódio”; o “velho João” jamais contemplaria o ócio…

Por Habaccuque Villacorte
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