Antônio Fernando Campos, um dos construtores do progresso de Propriá

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Dentre as várias agências bancárias instaladas na progressista Propriá dos anos 1940, uma das bem conceituadas, era a do Banco Comércio e Indústria de Sergipe S/A, localizada na Av. Augusto Maynard, esquina com a Rua Serapião de Aguiar, instituição financeira pertencente aos irmãos Augusto e Manoelito Franco.

O ex-deputado estadual, ex-governador e ex-prefeito de Propriá, Wolney Leal de Melo, na época funcionário do Banco Comércio e Indústria de Sergipe S/A  foi transferido de Aracaju, para a agência Propriá, entretanto, ele demora pouco tempo na cidade, pois foi encaminhado para assumir a filial na cidade baiana de Alagoinhas. Nesse ínterim, seu sogro, Artur Melo, um dos grandes empresários da Princesinha do São Francisco, adquire da família Franco a filial do Banco na cidade. Wolney não se adaptou ao interior baiano, e retornou para Propriá, dessa feita na função de diretor da empresa. Seu auxiliar imediato foi o senhor Campos, indicado pelos antigos proprietários da instituição como um homem de confiança, aceito pelo novo proprietário com muita estima e consideração. Em pouco tempo, Seu Campos assumiu a gestão da casa bancária.

Antônio Fernando Campos nasceu na cidade de Maruim-SE, em 15 de julho de 1918,filho de, José Albertino e Maria de Campos. Ele chega à Propriá em 1947, acompanhado com sua esposa a artista plástica Anna Brandão Campos e sua progênie, Ana Campos Prado, Fernando Brandão Campos, Ricardo Antônio Brandão Campos e Claudia Campos Chaves, reside inicialmente na Rua da Capela, próximo aos correios.

Com o falecimento de Artur Melo, Wolney herda do seu sogro o Banco e as ações da Companhia Distribuidora de Energia Elétrica de Propriá – CODEEP. Entretanto, rapidamente se desfaz da agência bancária, nomeando gerente da Distribuidora, o senhor Antônio Fernando Campos.

Além da CODEEP, fazia parte do grupo empresarial a Companhia Telefônica de Propriá – “Telefônica” que tinha o empresário e pecuarista Lauro Seixas como Presidente e o Médico Ciro Tavares vice.

Anteriormente, a energia da cidade era gerada através de uma “antiga usina” movida a diesel, situada no encontro das ruas Lopes Trovão e Martinho Guimarães, que fazia barulho até as 22:00 horas quando era desligada. Antônio Fernando foi um dos idealizadores da CODEEP inaugurada em 1957, através da concessão do DENAE- Departamento Nacional de Águas e Energia. Nesse mesmo ano, segundo, “Paulo da CODEEP”, foi implantado o primeiro “poste de madeira”, no acesso à cidade nas imediações onde hoje funciona a sede da atual distribuidora de energia em Propriá – ENERGISA.

A CODEEP se torna incondicionalmente, mola propulsora para o desenvolvimento de Propriá. Nesse mesmo período, o empresário pernambucano Otávio Luna Freire compra a Fiação e Tecelagem de Propriá – a fábrica de tecidos- indústria que empregava mais de 700 operários trabalhando nos três turnos e, é através da CODEEP que é inserido na cidade o primeiro ramal (rede) vindo da subestação da CHESF para a fábrica de tecidos e outro para o centro comercial.

Mas, “Seu Campos,” como ficou conhecido, não foi apenas o gerente da CODEEP, foi também gerente da Cia. Telefônica de Propriá tendo colocado em funcionamento as primeiras linhas de telefones da Siemens no município. Professor e diretor da Escola Técnica de Comércio de Propriá, membro fundante e presidente do Rotary Club Propriá/Colégio, em 1962, com a colaboração de Rotary Internacional os telefones da cidade foram automatizados.

Seu Campos tinha a inteligência, poder de aglutinação, sabedoria para lidar com as pessoas e conviver em harmonia com acionistas, tais como Wolney Melo, Lauro Seixas, Ciro Tavares, dentre outros. Além de usuários de serviços, fornecedores e empresários como Constantino Tavares, Hercílio Britto outros. Fizeram parte do seu convívio, políticos como José Onias, Nelson Melo, Geraldo Maia, bem como religioso Monsenhor José Soares e Dom José Brandão de Castro Bispo Diocesano, que conseguiu verbas por meio da Instituição Católica Alemã – MISEREOR- para a construção da Escola Técnica de Comércio de Propriá. Buscou também formar equipes de colaboradores visando incentivar o mercado de trabalho tendo como exemplos alguns funcionários da CODEEP – O jovem João Pereira Aguiar, “João Bolinha”, aprovado em concurso para o Banco do Brasil, Vicente Cabral Leão, hoje Desembargador aposentado. João Santana Pinheiro sai para o Banco da Bahia, depois ingressa, por concurso, no Banco do Brasil e se formou Bacharel em Direito (in Memória), Paulo Lobo engenheiro agrônomo, Izalda Nunes Tribunal de Contas do Estado de Sergipe, dentre diversos.

Além de todas as responsabilidades administrativas, Seu Campo ainda dispunha de energia para cuidar da sua família e, em vários dias da semana, viajava nas estradas piçarrentas de Propriá/Aracaju de Jeep com o gerente do Banco do Brasil de Propriá, seu amigo, José Magno de Leão Brasil, para completar seu Curso de Economia na Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Homem fino, educado, rígido, mas humano tratava seus colaboradores com dignidade e respeito caso de Paulo dos Santos, “Paulo da CODEEP”, quando vítima de acidente veio a quebrar o maxilar. Seu Campos, prestou assistência visitando “Seu Paulo” na Clínica do Doutor Adelino, em Aracaju inclusive trouxe um especialista de Salvador que acompanhou o tratamento do seu funcionário e amigo. Outro exemplo de solidariedade é quando o técnico em telefonia, Nicanor, colaborador da Telefônica, viu oportunidade de adquirir sua própria residência. Para isso, Seu Campos intermediou junto aos acionistas da empresa e Nicanor recebeu ajuda financeira que quase deu para pagar  100% da casa.

Com a incorporação do Banco Comércio e Indústria de Sergipe S/A pelo Banco Bamerindus, Seu Campos foi indicado para assumir em janeiro de 1967 a agência daquela nova instituição bancária na capital e deixou Propriá. Todavia, antes disso, recebeu merecidamente da Câmara de Vereadores de Propriá o “Título de Cidadão Propriaense”.

Nesse sentido, acredita-se homenagear esse SER que foi para Propriá, para sua família, quiçá para o Brasil, Antônio Fernando Campos, “Seu Campos” neste dia 15 de julho de 2018, no qual ele faria um século de existência.

* Por José Alberto Amorim – Membro do Centro de Cultura de Propriá – CCP

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