A trajetória de um empreendedor

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No dia 30 de novembro de 1925, nasce na cidade de Nossa Senhora da Glória – SE, Antônio Alves Feitosa, filho do agriculto José Alves Feitosa e de Dona Antônia Rosa Feitosa. Após o passamento do seu genitor, passa a residir na cidade de Aquidabã onde já se encontrava alguns familiares, lá é protegido pelo Padre Lima que lhe encaminha para a vida. Vira chover de praça, de início fazendo viagens Aquidabã/ Aracaju/Propriá; nesse tempo as estradas ainda eram pavimentadas com piçarra.

Nessas andanças “Antônio do Padre” como ficou conhecido muda-se em 1943 aos 18 anos para Propriá localidade que conhece a jovem Maria Amélia Rolemberg, com quem contrai matrimônio em 14.07.1949, construindo uma prole de sete homens e cinco mulheres, sendo o primogênito José Rolemberg Feitosa, Jorge R. Feitosa, Maria da Conceição R. Feitosa, Maria Antônia R. Feitosa, Antônio R. Feitosa, Maria Helena R. Feitosa, Sérgio R. Feitosa, Maria da Glória R. Feitosa, Manoel R. Feitosa, Fátima R. Feitosa, Sílvio R. Feitosa e Marco R. Feitosa.

Seu primeiro empreendimento é um pequeno restaurante, localizada à Rua Gustavo Dórea no centro da pujante e movimentada Propriá. Não demora muito e, amplia os seus negócios criando uma indústria de beneficiamento de arroz e a Fábrica de farinha de Milho Real, situadas à Rua Quintino Bocaiuva, na mesma cidade.

Mas, não deixa sua primeira profissão, continua fazendo seus fretes para a capital e o sertão; em Porto da Folha enxerga um nicho de mercado monta uma sorveteria e Dona Maria Amélia para administrar o novo empreendimento vai residir na cidade onde dá a luz a três dos seus filhos, José Rolemberg (Zezinho), Maria Antônia e Maria Helena.

Em pouco, deixa de ser chofer de carro de “frete”, pega um avião para São Paulo levando dinheiro suficiente para comprar uma “Marinete”. Espera durante trinta dias na capital paulista, mas só volta com um ônibus novinho de fábrica, do seu jeito! (já naquele tempo o cliente poderia escolher como queria o seu transporte).Assim, cria a linha de transporte coletivo Propriá/Aracaju/ Porto da Folha/Propriá.

Entretanto, seus intentos não param por aí, monta desta feita na Rua da frente em Propriá um Hotel com restaurante e, mais, foi pioneiro na distribuição da Brasil Gás e dos fogões “jangada” além de ser agente de venda de passagens para o Rio de Janeiro através da empresa de ônibus Nossa Senhora de Fátima e da Empresa Rodoviária Sergipe Ltda que fazia a linha Propriá/São Paulo. Só não foi proprietário da Empresa de ônibus do Senhor Lauro, a Senhor do Bomfim que fazia a linha Propriá/Aracaju da qual também era agente de passagens, porque Dona Maria Amélia o aconselhou a não arriscar naquela nova ação.

Seu Antônio do Padre foi também responsável pelo ponto de apoio localizado na BR 101, no Município de Cedro de São João da São Geraldo empresa de ônibus de Minas Gerais com linhas rodoviárias em nível nacional. Antes de se aposentar como comerciante, Seu Antônio compra um terreno na Rua Pernambuco em Propriá e, inicia outro tipo de negócio, dessa vez no ramo de hortigranjeiro, criando em média 15 mil aves.

Seu Antônio do Padre não foi somente um homem de negócios, foi também um grande cidadão de muito caráter, muita bondade praticada, exemplo disso foi quando um grande amigo seu foi preso pela Ditadura militar de 1964, e ele forneceu por muito tempo alimento para a família desse amigo.

Quem não tinha condições de pagar uma passagem de ônibus para a capital, não encontrava muito problema, Seu Antônio doava os bilhetes.

Por fim, o Senhor Antônio Alves Feitosa, Seu Antônio do Padre passa para uma “outra vida” em 28 de março de 2015.

Texto por
José Alberto Amorim
Professor de História
Especialista em História da África e das Culturas Afro-brasileiras
Membro fundante da Academia Propriaense de Letras, Ciências Artes e Desportos – APLCAD
Membro fundador do Centro de Cultura de Propriá –CCP

Foto:
Arquivo de família (Cedida gentilmente por Marcos Rollemberg, filho de Antônio do Padre)

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