O PULA PULA DE JONY, O DEPUTADO PANTANEIRO

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          O jovem deputado Jony Marcos é um pantaneiro de Mato Grosso do Sul. Veio a Sergipe, saindo da sua terra molhada e aqui, pelo semiárido, aclimatou-se tão bem que decidiu ficar e fazer política. Era Pastor da Igreja Universal e juntava o ofício de pastorear, com o de cuidar de ganhar votos. Juntou-se a Heleno, outro Pastor da mesma igreja, então deputado estadual. Jony não é um quadro despreparado. Requintou-se. Apreciador de um bom vinho gosta, também, de percorrer bons livros. Até cancelar a matrícula por indisponibilidade de tempo, era destacado aluno da Faculdade de Direito da UNIT. Quando concluir o curso surgirá, sem dúvidas, um bom advogado.

          Eleito vereador de Aracaju, caracterizou-se por saber exigir do prefeito posições sempre mais espaçosas e, nisso, saiu na frente do seu padrinho político, o também pastor Heleno, que já conquistara uma liderança no sertão e, usando, com habilidade, o microfone de algumas emissoras, passava a imagem de defensor do povo sertanejo, isso colou.  Jony reelegeu-se e, vidrado em política, sobretudo no que o poder pode oferecer, deu o pulo maior, quando tinha o sustentáculo de Heleno, então prefeito de Canindé. Elegeu-se deputado federal e agora está em fim de mandato, jogando tudo o que puder jogar, para assegurar a reeleição. Para deixar seu campo livre, convenceu Heleno de que ele deveria ser candidato ao Senado. Depois, tomou a iniciativa de abrir conversações com o deputado federal André Moura e o senador Amorim, preparando o terreno para a saída do governo, onde ocupava posições. Heleno o seguiu. Logo, consumou-se o anúncio da adesão ao grupo liderado por André Moura e anunciou-se a chapa para o senado: André Moura – Heleno Silva.

          Heleno, um maratonista político, logo correu na frente. Em Itabaiana, ergueu, com as mãos, o braço um tanto tímido do senador Amorim, tendo ao lado o prefeito Francisquinho, que na mesma hora anunciou que nele também despejaria a cobiçada carga de votos que tem demonstrado controlar. Heleno saiu de Itabaiana acreditando mesmo na sua chance de eleger-se senador. Mas Jony fazia outras cogitações e avaliava melhor as suas chances pessoais na nova aliança que formavam.

          O senador Valadares agiu rápido, ofertando de bandeja para Jony, o presente que ele mais queria: votos. Valadares desistia do Senado, concorrendo a deputado federal, e o seu filho deputado federal, ficando na cabeça da chapa como candidato ao governo, acomodando Heleno, como candidato único do grupo ao Senado, apesar das duas vagas em disputa. Jony verificou que, juntando-se ao projeto dos Valadares, ele teria a certeza da reeleição, porque herdaria os votos que o ex-governador certamente terá de sobra. Já Heleno irá encontrar um horizonte menos promissor e terá, mais rapidamente ainda, de sair em busca de um braço a levantar que lhe renda votos.

          Já o senador Amorim tratou, constrangido, de esquecer o braço erguido com o suporte de Heleno, enquanto André, precavidamente, não se tendo juntado ao gesto eufórico, parece nada ter perdido.

          Depois dessa reviravolta, parece que tanto para Heleno, como para Jony, ficam em dúvida os votos do ex-prefeito de Estância, o respeitado empresário e engenheiro Ivan Leite, que tem sua mulher como candidata à Assembleia Legislativa e, tanto como o marido, filiada ao PRB, o partido de Jony e Heleno. Ivan Leite já anunciou sua opção e deixou de comparecer a uma tardia reunião do PRB, por ter, antes, agendado acompanhar o governador Belivaldo, que visitava Estância, levando ações administrativas ao município.

Por Luiz Eduardo Costa

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