Propriá: ferida na “face” por filhos ingratos

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A maneira como a cidade de Propriá foi exposta através de fotos, relatando que alguns caixões para sepulcros foram deixados à mostra, de forma irresponsável e jogados ao chão, nos envergonhou enquanto povo, como irmãos que somos vivendo dentro dessa grande casa chamada Propriá. Mais dolorosa ainda, foi para a mãe Propriá, porque ela foi atingida em sua face e no lado onde mais poderia doer: em sua imagem linda e histórica de Princesinha do Baixo São Francisco. Os autores das fotos, algozes dessa mancha, não pesaram as consequências dos seus atos, tornando-nos uma cidade de irresponsáveis.

No livro sagrado Bíblia, o quarto mandamento é “Honrar pai e mãe”. Se existissem os mandamentos das cidades, por certo haveria um que dissesse: “Honrarás tua cidade como aos teus pais”. Desonrar é provocar humilhação ou vergonha em outrem. Honrar é mostrar respeito, satisfação e orgulho por determinado ser, objeto ou lugar. Por que Propriá foi envergonhada dessa maneira? Quais as considerações por trás de tais manifestos? Que proveitos foram tirados dessas situações? Filhos amam ao invés de odiar, maltratar ou macular. Filhos zelam.

A força das redes sociais é incontestável. Se olharmos pelo lado do que elas podem causar como negativa, esse poder aumenta. Uma publicação qualquer, seja ela escrita, em fotografia, vídeo ou áudio, relatando bons momentos, ficarão sempre em menor posição daquelas que se apresentam com cenas de sexo, assassinatos, difamação, calúnia ou constrangimentos. É em redes sociais, “terra de ninguém”, onde o nefando se prolifera, o pusilânime é enaltecido e o execrável torna-se admirado. A cada dia a conexão das redes é mais forte e hoje o facebook e whatsapp já ultrapassam a casa de um bilhão de pessoas que estão nelas. A maioria embriagada em grande frenesi de ter conhecimento do que se passa na vida dos outros, ou publicar aparências e produção de fatos improcedentes ou dignos de apuração antes de serem lá publicadas. É o desespero de ser o primeiro em publicar um fato. As fotos, expondo-nos, tiveram todas essas características, porque os fatos reais da situação não foram levantados. Por quais motivos?

Propriá, tão bela cidade de Cultura e História rica e forte, poderia ter o amor de seus filhos de forma mais declarada. Um exemplo disso é a cidade de Itabaiana, na qual seus filhos são bairristas e apaixonados pela terra. É comum ver estabelecimentos comercias como o nome “Itabaiana”; borracharias, times de futebol, bancas de camelô, mini-indústrias, etc. Propriá não tem sequer cinco estabelecimentos que levem seu nome, mas todos dizem que a amam. “Honrarás tua cidade como aos teus pais”. Como os espartanos lutaram para defender Esparta, os propriaenses deveriam declarar amor, endeusar, enaltecer, zelar e defendê-la com unhas e dentes de qualquer difamação, calúnia ou terror. O que nos estaria faltando para isso?

A verdade é que, ao contrário do efeito positivo que os autores de tais fotografias e outros que se prestaram ao oficio de divulgadores em suas páginas sociais e mensageiros de whatsapp, o material fotográfico da situação, sem checar o que de fato acontecera, lá fora o mundo os qualificou como “filhos ingratos de Propriá”, ou seja, após todo o levantamento da situação constatou-se que foi infeliz todo o “circo” armado, tiveram suas reputações questionadas e desqualificadas. O tiro retornou para o punho de quem atirou e a História cobrará.

A Carta Magna nos concede o Direito de livre trânsito, liberdade de expressão, manifestação e pensamento; entretanto, ela também chama a atenção para os limites de cada ato dos indivíduos em sociedade. Ao expor tais situações com os objetivos ainda não claros, ficou clara a deselegância, a falta de amor e sentimento dos nossos irmãos em pertencerem a Propriá. Numa só frase: ingratidão, vergonha e desonra para todos nós, que hoje somos vistos lá fora de todas as formas, menos de filhos que amam essa cidade dos seus pais, nosso irmãos, nossa imagem e nosso futuro e da pior maneira: Propriá foi ferida por seus filhos.

Por: Adeval Marques Fernandes
Graduado em História/Unit
Com DRT em Jornalismo 1773
Foto: Divulgação

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