Carlos Britto nega candidatura e vê Jorge Carvalho como bom pro Senado

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Você, analista de política; você, eleitor, e você, torcedor eleitoral – se é que existe esta espécie -, não insista: não queira de Carlos Ayres Britto, ex-ministro do STF, uma candidatura no ano que vem a deputado federal, a senador, a governador ou a qualquer outro mandato eletivo. Isso não vai funcionar.

É o próprio Carlos Ayres Britto quem dá esta garantia de impossibilidade de candidatar-se, e a reforçou ontem em face dos boatos de que ele estaria em fase de preparação para uma disputa. Isso foi dito apenas por ter sido visto cumprimentando pessoas e fazendo selfies com elas num shopping de Aracaju na tarde de sábado.

Numa matéria deste portal no sábado, com o título de “Carlos Britto é candidato a senador com chance de ser o mais votado”, uma fonte da política de Sergipe sustentava a tese da candidatura depois de vê-lo tão à vontade no Shopping Rio Mar.

No domingo, Carlos Britto ligou para o titular desta coluna, negou procedência no boto e, quase em tom de apelo, fez o seguinte pedido: “Se você puder, diga que me ouviu e que eu ratifiquei para você, peremptoriamente, categoricamente, que não sou e nem serei candidato a nada”, disse.

E completou: “Não quero. Até porque, o contrário disso me coloca mal diante de tantas pessoas que já me procuraram com a intenção de discutir candidature eu neguei”.

De fato, Carlos Ayres Britto já havia afirmado sua falta de pretensão eleitoral na entrevista domingueira cedida a este portal no dia 30 de abril. “O senhor deixou morrer o sonho de ser senador por Sergipe?”, perguntou-lhe a entrevista.

“Eu impus a mim mesmo um limite lógico. Um limite existencial, dizendo que minha trajetória na ocupação estrita de cargos públicos está de bom tamanho. Eu fiz uma opção, quando deixei o Supremo, de servir ao país no campo da cidadania, no campo científico e no do Direito”, respondeu ele.

Carlos Ayres Britto, bem ao estilo Carlos Ayres Britto, admitiu chateação diante da conjectura veiculada aqui no JLPolítica naquela tarde de sábado. E, naquela sua propensão aos aforismos, cravou um na hora.

“É interessante como pessoas que não fazem nada senão por interesse pessoal não sabem conviver com pessoas que não fazem nada senão por desinteresse pessoal. E eu não faço nada por interesse pessoal. Nada. Nada”, disse.

E fundamenta: “As pessoas que não fazem nada a não ser por interesse pessoal piram. E dizem: “não pode ser. Isso é inconcebível. Ele está apenas disfarçando”. E enlouquecem. E aí fazem este tipo de ilação. Doidice”.

“E aí, quando me veem cumprimentando as pessoas com carinho, com alegria e desenvoltura, já dizem: “não, este cara só pode ser candidato. Porque senão, não é possível esta desenvoltura toda”, pondera Carlos Britto.

Na tarde do sábado, ao circular pelo shopping, Carlos Britto parou numa roda social de peso político, onde estavam João Augusto Gama, Rogério Carvalho, o advogado Eduardo Ribeiro, Lacerda de Oliveira (um petroleiro e ex-petista), Antônio Samarone, o empresário Devanir Silva e Jorge Carvalho, o secretário de Estado da Educação.

Pois no telefonema que deu ao titular desta coluna, Carlos Ayres Britto lança mão de um deles e acha que daria um bom senador: trata-se de Jorge Carvalho. “Mas ali naquele grupo numeroso, havia um candidato a senador de excelentes qualidade e possibilidade de servir a Sergipe, que é Jorge Carvalho”, diz Britto.

“Falando objetivamente, dentro desse clima novo, dessa ambiência nova que virá, um Jorge Carvalho seria um grande candidato. É um homem muito culto e muito determinado e, pelo que sei, progressista. Não avança no dinheiro público. Com um bom apoio político da sociedade, ele se elegeria e seria um bom senador”, chancela Carlinhos.

A coluna pondera que Carvalho tem feeling, mas não tem vontade política de disputar. Carlos Britto tenta desmontar: “Quer saber minha opinião sincera? Quando um indivíduo quer um mandato político a ferro e fogo, o cargo político, a ferro e fogo, reage. Se nega”, diz, gerando mais uma tese. “E para dobrar a vontade ferrenha e reativa do cargo, paga-se um preço tão alto que deslegitima a investidura”, diz. 

JC NÃO SERIA NEÓFITO EM DISPUTA
Aos 60 anos, se fosse lançado candidato a qualquer mandato eletivo no ano que vem, Jorge Carvalho não seria um neófito a ser atirado numa eleição. Há quase 30 anos, exatamente na eleição de 1988, Carvalho disputou mandato de prefeito de Aracaju pelo PCB. Dois anos depois, já pelo PT, disputou mandato de deputado federal. Doutor em Educação, professor aposentado da UFS desde fevereiro do ano passado, ele desenvolveu a cátedra paralelamente ao exercício de funções públicas na educação: sob o governo de Jackson Barreto prefeito de Aracaju, foi secretário de Educação em 1986. Sob João Augusto Gama, respondeu pela mesma pasta de 1997 a 1998, e de 1999 a 2000 foi secretário de Governo ainda na Prefeitura com Gama. Esta é a primeira vez que está secretário de Estado, respondendo pela Educação desde 1° de janeiro de 2015. Dizem que tem feito um grande trabalho. A coluna Aparte não sabe como Jorge Carvalho recebe esta sugestão de Carlos Ayres Britto sobre o seu nome para uma disputa eleitoral.

Jorge Carvalho: carreira entre a educação e área pública

Por Jozailto Lima
Fonte: jlpolítica.com.br

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