Colégio Estadual é o retrato do desprezo e abandono por parte do Estado: ruindo aos olhos de todos

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O Colégio Estadual Coronel João Fernandes de Britto, “Estadual”, é o retrato do abando e desprezo por parte do Governo do Estado.

O site esteve no local e, por respeito à Direção da Escola, fez apenas a fotografia da faixada do prédio sem adentrar no recinto. Contatamos, logo na entrada pela faixada externa que laje de uma das janelas da frente estão expostos os vergalhões no primeiro andar deixando amostra o concreto secular. A pintura é tão antiga que o tempo transformou em cor de areia; há vários lugares onde ela está descascando. O portão de entrada tem ferrugem; portas danificadas e sem pintura. Segundo cinco pais de alunos, com quem mantivemos contato, a estrutura é ainda pior na parte interna.

LajeDentro das salas de aulas, segundo eles, os alunos reclamam do calor por falta de ventiladores, janelas com vidros quebrados permitem a entrada de poeira, da chuva nas épocas do inverno provocando a mudanças dos alunos para outro local de aula. Banheiro sujos que, em função do uso pelo tempo, se tornaram imundos necessitando a troca dos vasos sanitários, suas tampas quebradas. Os sanitários, sabe-se, é um dos lugares onde a proliferação de bactérias são agentes das mais diversas doenças transmissíveis ao ser humano. Há alunos que afirmam não fazer suas necessidades fisiológicas neles por nojo, receio ou disciplina educacional que trazem de seus lares. Fiação, tomadas e interruptores da rede elétrica estão fora das normas da ABNT; a hidráulica é outro problema, etc. Corrimões, pias, vasos, eletricidade, hidráulica e até partes do teto, vergalhões, reboco, portas, são tudo antigos ou sem condições de prestar um espaço de aprendizagem com qualidade de vida. Resumindo: desprezo, desprezo e desprezo irresponsável por parte do Governo do Estado que parece ter virado suas costas para Própria. O Estadual é o retrato do abandono.

Fragmentos da sua História

Colégio Estadual Coronel João Fernandes, “Estadual”, é uma das escolas mais antigas da cidade de Propriá. O prédio é secular, portanto, histórico. Ele leva o nome de um dos homens que teve grande importância na história local, João Fernandes de Britto.

Chamado por Coronel João Fernandes de Britto ele era sócio e fundador da Fábrica de Tecidos Propriá, juntamente com seu irmão, o também Coronel Francisco Porfírio de Britto o “Coronel Chico Porfírio”. Ambos fundaram a Fábrica de Curtume Canindé, essa no Alto Sertão de Sergipe na hoje cidade Canindé de São Francisco. Em Propriá fundaram a Fábrica de Tecidos Propriá ainda no século XX (20) que, em seu auge, ela chegou a empregar mais de mil pessoas da região, no que eu chamo, particularmente, de “Época da prosperidade de Propriá”. Ambos eram visionários e empreendedores, ajudaram no desenvolvimento local fundando e construindo escolas e outros órgãos na cidade. Depois deles houve declínio na cidade.

 É vergonhoso que um patrimônio histórico, que hoje funciona uma escola que tem o papel de ajudar na formação de cidadãos para o mundo, dê um dos piores exemplos de amor e zelo pela coisa pública. É a prova incontestável de um Governo do Estado com gestores falidos por uma política insana, displicente, irresponsável, desatenciosos para com a educação de jovens que amanhã irão governar esse mesmo Estado. Que exemplo levaram dos administradores de hoje?

A situação atual do Estadual é a prova do desprezo total ao Baixo São Francisco na cidade que já foi chama de “Princesinha do Baixo São Francisco”, e mais ainda ao seu povo. Fonte: A Solidão do Baixo São Francisco Marques, Adeval. ( livro ainda não publicado)

O que pensam alguns jovens de hoje?

Apesar de toda situação há quem deseje estudar lá. Em um caso particular uma aluna deixou de estudar em uma escola de melhor condição porque, segunda ela: “Queria repetir o caminho que meus pais trilharam quando eram jovens. Eles estudaram no Estadual, se conheceram lá e contaram histórias lindas sobre a escola […]”. Nesse caso existe a influência social da História mostrando que havia e há orgulho em estudar no Colégio Estadual, como é e era mais conhecido. “Era uma honra estudar nele.”, afirma um dos pais de aluno que lamenta a situação. “O ruim da escola é que não podemos instaurar um processo contra ela. Podemos fazer contra o Estado, mas ai a morosidade da justiça não anima o cidadão que paga imposto proceder com a denúncia. É um País cheio de falhas gritantes.”, afirma outra mãe de aluno. Nas redes sócias a Escola tem uma página mantida por aluno e nela eles solicitaram reformas urgentes. Nada foi feito. É uma série de denúncias que são verificadas de forma velada.

Esatdual1Os profissionais da Escola

Em outro prisma observa-se a dedicação dos profissionais que lá atuam. Vigilantes, serventes, merendeiras, auxiliares, professores e direção são considerados como abnegados em seus afazeres diários para manter o local em funcionamento e com o mínimo de dignidade possível em um dos piores ambientes escolares da região do Baixo São Francisco em termos de atenção por parte do Governo do Estado. Se não há empenho por parte dos atores, recaem sobre todos o estado de culpe.

De quem é a culpa? 

Todos podem ajudar! Sociedade, Poder Executivo, Câmara Municipal, Conselho de Pais e Mestres e outras entidades ligadas ao bem comum de todos. A Justiça é o caminho mais viável quando as solicitações e anseios da sociedade não são atendidas.

A esperança

O que se espera é que o Governo do Estado, através da Secretaria Estadual de Educação, providencie um estudo e viabilize uma reforma ao Colégio Estadual Coronel João Fernandes e possa garantir qualidade de vida além de dar o exemplo de que, é através dos nossos líderes, chefes da nação, que o povo pode sentir-se seguro e amado. Fora disso é puro e mesquinho jogo de imagem.

Da redação
Adeval Marques
Graduado em História

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