Professor Salatiel: “O Educador e Pescador de almas de Propriá”

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É de manhã em uma sala de aula. Nela só estão duas almas que dialogam sobre a importância de ser bom e fazer o bem enquanto aqui, nessa curta passagem chamada de vida, o tempo dado por Deus é missão de vida para o bem.

O homem que orienta em diálogo é um senhor já de boa idade que, de óculos e cabelos começando a embranquecer, trás consigo os anos e anos de experiência de um educador culto e que conhece os caminhos tortuosos que a vida impõe àqueles que não os conhecem, e que por isso, são almas que ainda em vida estão penando e necessitam de ajuda. Ele acredita que o ser humano é bom e que nasce sem a maldade e que, com o passar do tempo, a depender das situações, a vida o transformava de para um lado mau. Não era culpa desses seres – pensa o velho Professor, e sim de um conjunto de situações que o levavam á tantas situações na vida. São escolhas, inclusive. Assim achava aquele homem que havia ensinado à tantas pessoas o caminho do conhecimento, comportamento, bom viver e ser um praticante do bem.

Do outro lado, de cabeça baixa, com os olhos cheios de lágrimas, estava um jovem de pouca idade que sempre voltava para lhe pedir conselhos e que o ajudasse a ter um destino melhor do que aquela violência para qual ele mesmo estava submetendo seu ser ainda jovem que era bom, mas, podia transformar-se em ruim. Ele não queria que assim fosse. Queria sim, a certeza de que seria um orgulho para os seus pais e considerado um homem de bem para a sociedade. Sua alma estava enferma, naquele turbilhão de situações que passa, porque o alimento que sua carne agora era o vício das drogas. Sozinho e sem ter para onde ir pedir ajuda, ele voltava para conversar com o velho amigo  Salitiel a cada vez que entrava na sua pequena depressão de usuário. Pedia ajuda, pedia socorro, pedia por um milagre. Pedia, pedia e pedia…

Professor Salatiel, ouvindo a confissão daquele jovem que tinha todo o ser doentio, começa a lhe aplicar os remédios que tinha a sua disposição. Dizia ele: A resposta está dentro de si mesmo. Seu corpo é a morada da sua alma, é o lugar onde ela deva sentir-se em paz. Para que isso aconteça você deve alimentá-la com as boas energias que são fabricadas nos bons pensamentos, nas boas ações, ser consciente do que está fazendo e separando o que vem a ser ruim do que é bom. Convém não ter companhias ruins, ouvir o juiz que existe dentro de você, não fazer uso do que é nocivo para si próprio e aos outros. Acorde-se de manhã com um plano de mudança em sua vida e reze antes de tudo pedindo que Deus esteja ao seu lado e lhe atenda. Isso já é parte do alimento que sua alma necessita. Depois isole as más companhias, procure pessoas com hábitos melhores e diga a si mesmo que está começando um nova vida. Por último abra um diálogo com o criador, peça perdão a si mesmo e comece uma nova vida na procura de ser um bom cidadão e trabalhe para construir uma família, um lar onde possa cuidar de você e do que irá plantar para o futuro.

Assim era o Educador, Professor e pescador de almas, Professor Salatiel Francisco do Amaral.

O Professor Salatiel Francisco do Amaral era da Congregação Marista. Chegou em Propriá muito cedo, ainda jovem, em 1974. Aqui realizou diversos trabalhos sociais sempre colocando o ser humano em primeiro lugar, sobre tudo, os que mais necessitavam de ajuda. Fez grandes trabalhos em Propriá ficando muito conhecido pela pessoa que era. Seus ensinamentos alcançaram diversas pessoas que com ele começaram os primeiros passos e hoje estão espalhados mundo afora como doutores ou simplesmente pessoas comuns, porém, todos trazem consigo um pouco dos ensinamentos do Professor que hoje são aplicados dentro do lares.

Após concluir sua missão, com a vista debilitada, porém, a mente mais que sã, ele se foi aos oitenta e sete anos completados em 2017. Propriá tem gratidão pelos trabalhos prestados por esse Professor que foi um pescador de almas, especialmente o bairro Brasília que, como captou o poeta Rossi Mágne contextualizando em sua frase poética: “o seu retrato”. O trabalho foi feito, os projetos realizados, almas foram salvas.

Do povo de Propriá, nestes de idos de 2017, ano da grande de Deus, descanse em Paz ao lado do pai.

Texto de Adeval Marques
Graduado em História
Membro do CCP: Centro de Cultura de Propriá
Com informações de Rossi Mágne e depoimentos populares
Foto: Rossi Mágne

 

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