O SENADOR VALADARES E O “COVARDE” BELIVALDO

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Por Luiz Eduado Costa
Jornalista

EM SÃO PAULO A VITÓRIA DO JANOTA ENFATIOTADO

A vitória de João Dória uma espécie de colunista social das elites endinheiradas quatrocentonas , representa um logro do qual foram vítimas os paulistanos decepcionados com os políticos  e revoltados contra os episódios deprimentes, agora revelados, de uma quadrilha pluripartidária que se instalou no poder  e nele fez o festim insaciável dos rapinantes.

João Dória, que é bem falante,papagaio de frases feitas, fez o marketing simplório e rasteiro da  troca de argumentos  consistentes pela técnica fácil  da satanização de um suposto inimigo  que deve ser vencido e esmagado, para que a vida de todos retorne à normalidade. O vitorioso no primeiro turno, embora, evidentemente fazendo política, transformou-a no seu alvo preferido, recorreu ao discurso moralisteiro  em moda, e apresentou-se como  candidato distante e acima da política, um empresário, presumidamente gestor eficiente,que se propunha a corrigir todos os erros , devolver ao paulistano uma cidade exemplar, que aliás ele nunca teve. Para o paulistano acossado pelos problemas de uma megalópole atabalhoadamente construída, e sem soluções plausíveis, enquanto não transcorrerem  algumas décadas de mudanças,  reformulações de conceitos e ideias, o dândi almofadinha, manequim de grifes, apresentou fórmulas enganosas ,  saídas de um arsenal de ¨inovações gerenciais ¨que ele, sem o uso da política iria colocar em prática.

Essa é exatamente a arte enganosa dos piores e mais oportunistas demagogos, os que se aproveitam da decepção do povo e o torna refém  da mentira  de uma falsa renovação  que nada mais é do que um pacote embolorado de práticas antigas, disfarçadas com o  invólucro esperto das frases de efeito.

O paulistano caiu nesse logro logo no primeiro turno, até porque os demais concorrentes já eram velhos conhecidos, e faziam parte de um desgastado elenco. Todavia,três milhões de eleitores, número superior aos votos obtidos por João Dòria não votaram, ou anularam o voto.

Isso sem dúvida dá o que pensar.

E quem minimamente pensa, sabe que não se administra, não se governa sem fazer política, e o Estado é bem diferente de uma empresa privada, onde mandam o dono, os acionistas majoritários. Quando alguém insinua que pode conduzir o Estado como se fosse uma empresa privada está certamente imaginando-se um autoritário ditador, que prescinde da participação da sociedade ,e faz, nesse caso, a pior das politicas , que é a da força, e do privilégio  exclusivo de fazer e mandar .

João Dória, frequentador assíduo das alegrias dohigh- societyvê as favelas paulistanas de cima do seu helicóptero, e diz que é preciso olhar pelos ¨mais humildes ¨.Assim, torcendo o nariz, cuidando da perfeita maquiagem, ele se refere aos pobres,  aos miseráveis, aos excluídos, que  enfrentam a polícia  quando destrói barracos e invade prédios abandonados cumprindo ordens de despejo. Essa mesma polícia nunca chega ao refúgio dos ricos, em Campos do Jordão, por exemplo, onde o prefeito eleito de São Paulo é acusado de invadir terras públicas.

O ¨office boy ¨da plutocracia paulista, o lobista e bajulador de poderosos, estará na Prefeitura para atender aos interesses do seu grupo de privilegiados. A ¨patuleia ¨, a ¨ralé ¨, da qual ele também recebeu votos, e não foram poucos, nem tenha a menor esperança de que João Dória, filho  do deputado João  Dólar , eleito prefeito e ofuscado pelos holofotes da fama, consiga enxergar, agora, o que nunca quis ver antes : o gigantismo da exclusão social que cerca a Avenida Paulista.

O PAÍS SOFRE O GOVERNO SE OMITE E BANQUEIROS FESTEJAM

  A greve dos bancos chegou a um mês e acabou-se.  A situação é gravíssima a economia que já andava quase parando agora piora. Sem movimentação bancária normal todos perderam, só os banqueiros ganharam, tendo ainda mais dinheiro em caixa para a sua ciranda extorsiva com o dinheiro retido dos depositantes. Por isso, eles se lixaram para as reivindicações, aliás modestas, dos seus sacrificados bancários. Nesse último trimestre do ano os bancos estarão mais uma vez a exibir os seus resultados excepcionais. A greve afetou principalmente aos pequenos depositantes, aos pequenos empresários, os grandes clientes quase não foram afetados. Muitos correntistas nem mais frequenta mas agencias , fazem ,  online, todas as suas operações bancárias.

 Os grevistas a partir de agora poderão sofrer represálias com a perda dos seus empregos, porque os bancos, cada vez mais informatizados, podem prescindir dos seus trabalhadores.

 Mercado, hoje, define apenas os interesses do cassino financeiro. A economia real, aquela que este ano vai despencar três pontos e meio, ampliando o desemprego para algo próximo aos quinze milhões de braços parados, quase não é levada em conta . O que conta é a chamada estabilidade financeira, o superávit fiscal para garantir sossego aos presta mistas que a cada dia mais estimulam a agiotagem. E por isso os juros permanecem nas nuvens.

A indústria em agosto perdeu mais fôlego, caiu cinco por cento, ampliando uma queda que já vem de longe.  O mês de setembro deverá ser ainda mais desastroso, por causa da greve.

Embora temerosos, aguardemos, sem perder a esperança,que o milagre aconteça.

O SENADOR VALADARES E O¨ COVARDE ¨ BELIVALDO

O exercício alongado do poderas vezes afeta, ou deforma o comportamento dos que percorrem, ao longo da vida, a sensível trilha que conduz  aos locais onde se encastelam o mando, a influencia, o prestígio, e muitas vezes até a vaidade e a arrogância.

O senador Valadares há mais de cinquenta anos percorre a trilha do poder. E sempre o fez com responsabilidade e elegância.

Mas ninguém é absolutamente imune à tentação de enxergar o mundo girando em torno do próprio umbigo, e assim,em algum momento, sente-se dono da verdade,  senhor da razão.

Talvez, num desses momentos em que o ego se so prepõe,e paira acima do comedimento e da civilidade,  o senador Valadares se tenha tornado irreconhecível, pela deselegância e odiosidade como se referiu a Belivaldo Chagas. Por que motivo Belivaldo Chagas seria ¨covarde e traidor ¨? Por não ter acompanhado o senador na sua surpreendente marcha para acomodar-se, agora, no terreiro onde canta de galo o homem de negócios, dublê de politico,Edivan Amorim ?

Belivaldo antes advertiu sobre  as consequências de uma aliança exatamente com Edivan.

Por ser amigo e aliado de Valadares,Belivaldo deixou de ser Conselheiro do Tribunal de Contas, em consequência das manobras que fez Edivan na Assembléia Legislativa.

 A bem sucedida e em alguns aspectos exemplar carreira política do veterano senador Valadares, é pontilhada por esses episódios em que a volubilidade transforma amor em ódio, ou vice – versa.  Aconteceu com dos protagonistas. Com Jackson Barreto Valadares tem tido uma sucessão de amor e ódio misturando-se ao longo do tempo.  Jackson foi posto para fora da Prefeitura de Aracaju por decisão inédita da Assembléia, na qual Valadares, governador, tinha  folgada maioria. Dos crimes de que foi acusado no desenrolar da manobra, diríamos, até traiçoeira, Jackson foi absolvido depois, em sucessivas decisões judiciais. Voltou a ser prefeito, mais uma vez eleito pelo povo.

 Mas ninguém esqueceu que Jackson tinha sido decisivo para a eleição de Valadares ao governo,levando –o a vencer em Aracaju. Depois, houve vários outros episódios semelhantes, como o apoio que recebeu de Lula para tornar-se Senador, também de Déda, de Jackson, de Edvaldo, e em seguida trocou de posição, tornando-se critico ferrenho do esquema de poder ao qual pertenceu, e dele participou, ocupando disputadíssimos espaços na administração federal e estadual, desde o inicio dos governos de Lula , de Dilma, de Déda, de Jackson.

Valadares Filho recebeu em 2012 o apoio de Jackson e  do então prefeito Edvaldo Nogueira, quando concorreu à Prefeitura de Aracaju.   Seus comícios eram animados pela militância petista.  Tanto Valadares pai, como Valadares Filho, compartilhavam, entusiasmados,do esfuziante    agitar das bandeiras vermelhas do PT. Seus alvos então eram o PSC de Edivan Amorim e André Moura. Se os dois, pai e filho, hoje amarelaram suas bandeiras,aderiram aos adversários de ontem, ninguém terá o direito de classificá-los como traidores ou covardes, porque a  nossa politica, infelizmente, não é o exato  terreno onde florescem a coerência e a convicção, muito menos a lealdade, ou, até mesmo, aqueles comezinhos valores, tão caros às pessoas comuns, desacostumadas com atitudes que lhes parecem estranhas.

E essas pessoas assim, tão surpreendidas com a dureza dos termos usados pelo senador Valadares contra seu amigo Belivaldo, ficam a se perguntar: Por que ele o chamou de ¨traidor e covarde ¨ ? Seria porque Belivaldo permaneceu, exatamente, no lugar onde foi colocado pelo próprio senador Valadares ?

AQUELES QUE TANTO NOS  CAUSAM ORGULHO

Por obra e graça do deputado federal André Moura, líder do governo Temer na Câmara dos Deputados, Sergipe tem agora o seu primeiro nome incluído entre os réus da operação Lava Jato. André Moura passou a constar do extenso ról dos que integraram a quadrilha petroleira.

O Ministro do STF Teori Zavaski o incluiu bem ao lado do padrinho e inspirador, o ex-deputado Eduardo Cunha.

Orgulhemo-nos sergipanos…..

AS VAQUEJADAS O STF E O ¨PORROTE¨ DE LARANJEIRAS

O Supremo Tribunal Federal acaba de tornar ilegais as vaquejadas tão nordestinas.  Os conspícuos ministros, guardiães zelosos da nossa Carta Magna ,  decidiram, por maioria apertada de votos, que é inconstitucional o mais popular esporte dos nordestinos.

Um deles afirmou que a vaquejada faz com que o animal seja tratado como coisa.

 Cavalos, vaqueiros e bois correndo nos parques de vaquejada afrontam a Constituição da República Federativa do Brasil, aquela que o valoroso Ulisses Guimarães  que estaria agora completando cem anos, anunciou, orgulhosamente, como o supremo documento de afirmação da nossa cidadania. Nem imaginariam certamente, os constituintes, que um dia o texto que escreveram tão afanosamente iria ser aplicado em desfavor do mais popular esporte nordestino , também uma dinâmica  atividade econômica,  que gera  renda e empregos, seguramente muito mais do que o futebol.

Seguindo-se o raciocínio tão politicamente correto, teríamos, urgentemente, de mudar radicalmente o mundo, que é um gigantesco matadouro. São milhões de animais, bois, cabras, carneiros, cavalos, porcos, para só falar em quadrúpedes mortos todos os dias ,sacrificados como coisas, para saciarem a fome de sete bilhões de bocas.

Seria imprescindível também impedir que pessoas montemcavalos, burros, jegues, elefantes, camelos , ou que esses animais tracionem carroças, carreguem cargas nos seus lombos, frequentemente chicoteados ou esporeados.

Seguindo o mesmo raciocínio, teriam de ser fechados os hipódromos, banida a arte da equitação, os torneios  hípicos, porque cavalos  são tratados como coisas.

 E os rodeios do centro- oeste, do sudeste, como é que ficam?

Por falar em animaisque  devem merecer o manto de proteção da nossa Suprema Corte vale lembrar de uma das estórias pitorescas da tão singular cidade de Laranjeiras. Esses episódioslaranjeirenses quando contados pelo intelectual, médico e ex-senador Chico Rolemberg , ou pelo seu irmão, ex-prefeito, Conselheiro aposentado, também ex-senador, Heráclito Rolemberg, ganham sabor especial, como aquele,  envolvendo uma vaca morta de estresse de tanto receber porrotes. O que vem a ser porrote ? Explicamos: É um som bem assemelhado ao de um indiscretamente ruidoso flato, produzido com a mão colocada verticalmente no meio do rosto, ficandoaquela comissura que une o dedo  polegar  ao indicador ao alcance da boca para que coladinho a ele se faça um forte sopro. Sai então o porrote .  Oslaranjeirenses teriam se especializado em atormentar, com porrotes, vacas incomodas que passeavam pelas ruas da cidade histórica.

Depois dessa exdrúxula tola e perniciosa decisão, a nossa Corte Suprema não estaria a merecer porrotes ?

Os certamente desocupados Procuradores Federais do Ceará, que impetraram a ação e venceram, nem imaginam o tumulto e o gigantismo da insatisfação, e dos prejuízos que causaram. Continuem assim, desarrumando atividades econômicas, e brevemente estarão a reclamar pelo atraso nos seus salários.

Porrotes neles……

AS CRÔNICAS DE UM CIDADÃO RIO-REALENSE

Rio Real é município que fica naquela mesopotâmia, delimitada ao norte pelo Rio Real, ao sul, pelo Rio Itapicurú. Deveria ser território sergipano, se prevalecessem os limites traçados por Ivo do Prado, ou vitoriosa fosse a iniciativa do ex-senador Chico Rolemberg que queria recuperar para Sergipe o território perdido. São os inconformismos de uma terra miúda, colada a uma gigante.

O baiano teve algo do bandeirantismo paulista. Garcia D`Avila, desbravador e conquistador de terras, disso, deve ser o melhor exemplo. O sergipano acomodou-se na completude do microcosmo dos engenhos, e ali foi aquietando-se. Demorou, até a guindar-se aos sertões, e ir ocupar as terras ignotas.

É então um rio – realense, agora quase sergipano, saído daquele território que nos teria sido conspurcado, que, num livro saboroso, de fácil e atraente leitura, nos fala sobre toda a extensão mediando entre os dois rios, indo além, extravasando limites, chegando a Jandaíra, bem próximo ao mar e aos rios do Mangue Seco. Livro rico em memorias, em exuberância de variados conhecimentos, e também precioso em particularidades insuspeitas, de uma gente e de uma terra.

O rio-realense tão sergipano, é o advogado, engenheiro agrônomo, sobretudo um cidadão, ansioso por fazer da vida, cada vez mais, um entusiasmado exercício de participação. É ele Manoel Moacir Costa Macedo. O livro, Crônicas do Rio Real, será lançado na sexta –feira, dia 14,  às vinte horas, na AEASE,  quando  Moacir receberá, também, o título  de engenheiro agrônomo do ano.

REGISTROS DE PESAR E DE SAUDADE

JOSE CARLOS SOUZA faleceu, faz mais de um mês. Homem discreto , tranquilo, todavia operoso sempre, serenamente atravessou o sofrimento até o dia final. Jose Carlos Souza é a melhor referencia de um cidadão digno. Advogado, professor, político, foi deputado, gestor público eficiente e sem máculas, foi algumas vezes Secretário de Estado. Aposentou-se como Conselheiro do Tribunal de Contas, mas nuca parou de trabalhar. Deixou aos seus filhos a melhor herança do exemplo que eleva a condição humana, e eles o seguem criteriosamente.

LEONARDO ALENCAR, pintor, viveu na Bahia os seus dias mais intensos da juventude, quando criou de forma exuberante, fazendo parte da elite artística e literária baiana.

Retornou a Aracaju, viajou pelo mundo, deixou como legado a sua arte, tão expressiva e tão reveladora do seu gênio. Foi um dos nossos maiores artistas. Sua obra deve ser preservada, para fazer parte do acervo vivo da cultura sergipana.

AUGUSTO PINHEIRO MACHADO – Alagoano de Pão de Açúcar um dos açucarenses ilustres que vieram viver e fazer em Sergipe,  como o desembargador aposentado Netônio Machado, o ex-prefeito Edvaldo Nogueira, o médico e odontólogo Hamilton Maciel, o publicitário e jornalista Hugo Juliaõ, e tantos outros. Pinheiro Machado não transferiu-se a Sergipe, mas aqui chegava constantemente, quando tornou-se assessor do então presidente da CNI, Albano Franco, e dele se fez amigo irmão. Homem afável, inteligente, pronto sempre a servir, foi lembrado pelos amigos na missa de Sétimo Dia que Albano mandou celebrar na Capela de São Lucas. Emocionados, os amigos o lembraram, enquanto o padre Marcelo, uma revelação de excelente orador sacro, falava sobre a vida aquele espaçoentre o nascer e o morrer, para ele, um ressurgir.

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