As pedras antigas da Travessa Capitão Zezé como Patrimônio Cultural e Histórico de Propriá

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“Preservar o patrimônio cultural e histórico de um povo é garantir que sua identidade não seja perdida.” – Adeval Marques

Quem vier do bairro Alto do Aracaju, transitando no sentido de ir à praça do comércio da cidade, que fica situada na Avenida Tavares de Lira, certamente tomará umas das ruas para chegar lá. Um desses acessos é a Travessa Capitão Zezé com suas pedras muito antigas embelezando o urbanístico do local.

Acesso generoso a Travessa Capitão Zezé é histórica. De toda sua extensão que era coberta pelas grandes pedras, só restou um pequeno trecho que divisa a Rua 2 de julho onde as lages, como assim eram chamadas as pedras do calçamento. As pedras estão envelhecendo levando consigo séculos de História.

Registra-se ali tantos passos que foram dados pisando-as por pés envoltos em calçados ou da própria pele. No ir e vir ouvia-se vozes que falavam de coisas alheias, assuntos importantes, coisas e grandes e pequenas da vida. O Sol escaldante, sempre a lhe queimar, fez polir sua tez ajudando na coloração que vem obtendo com o tempo. A água das chuvas torrenciais das noites lindas e misteriosas de Propriá são também ingredientes que lhes testificam a grandiosidade e contribuição que vem dando ao logo de sua vida, por ali casais enamoravam-se em aventuras.

Já no começo da semana, na segunda-feira, quando a cidade começa andar, a Travessa oferece seu curso para os primeiros passos das pessoas e por lá vão passando funcionários do comércio, estudantes, pessoas que vão às compras, os informais, transeuntes comuns do dia a dia. Por toda semana a procissão é essa: subir e descer a Capitão Zezé. Por ser íngreme, vez por outra um veículo se atreve à subi-la. É raro, porém, acontece. Todos usam a travessa de alguma forma. Desde o mais simples ser até o gabaritado doutor quando assim o quiser. As pedras da Zezé se dispõem, oferecem seu dorso à todos que queiram por ela passar. É o dever de uma rua ou travessa, avenida ou viela.

Assim como o beco do Tabuão a Travessa Capitão Zezé é um patrimônio da cidade. Ela consiste em um bem histórico e cultural. Há que se pensar, se assim existir o pensamento de preservação da própria História local, em fazer um trabalho de proteção pelas pedras da Travessa na tentativa de preservar esse patrimônio.

O CCP: Centro de Cultura de Propriá, que tem por essência de pensamento preservar a cultura e memória local, tem como grande defensor da proteção do patrimônio da cidade, o Professor, Historiador e Comunicador Alberto Amorim. Ele e esse escrevinhador defendem que exista um levantamento do arquitetônico da cidade, aliás, no programa CCP Cultural, Alberto Amorim tem feito várias críticas pela preservação desse material da cidade. Com a chegada de Yokanaan Santana na Prefeitura, eleito para 2017 a 2020, acredita-se que a área da Cultura possa ser revigorada e tais situações elencadas. Preservar a Cultura e História é manter a identidade de um povo.

O nascimento da Travessa Capitão Zezé tem data ainda à ser estudada. De acordo com análises feitas no local, pelo Historiador Adeval Marques, tudo começou como uma pequena vereda de acesso que logo tornou-se beco e em seguida, com a cidade já com suas ruas definidas, decidiu-se então batiza-la de Travessa ganhando o atual nome que tem. Isso remonta já no século 18. Por ela passou o cao, as pedras, os tijolos, telhas e madeiro das construções residenciais que formam o bairro Alto do Aracaju. Ela encurta distâncias e em seu intervalo nasceram outras ruas, formaram-se casas e famílias se estabeleceram fazendo Histórias. As ruas tem importância e valor arquitetônicos porque são linhas delimitadoras e referenciais de urbanização da sociedade. Não se pode ignora-las. Na verdade Propriá está cheia de ruas históricas, entretanto, aos poucos estão perdendo esse traço. Uma pena!

A Travessa Capitão Zezé é diferenciada porque mantém, em parte do trecho, a beleza inicial de uma Propriá em seu começo de cidade. Nisso reside o valor para tornar-se tombada como Patrimônio Cultural e Histórico do povo de Propriá. É uma ideia, questão de justiça e do interesse da sociedade onde todos devam apoiar a ideia que será lançada pelo CCP através de documento oficial da entidade com Projeto de Lei na Câmara Municipal.

O tempo envelheceu tornando as pedras ou lages da Travessa Capitão Zezé antigas e lindas. São nossas irmãs de História, memória viva da nossa sociedade quando enfeitavam a cidade que ficou conhecida por Princesinha do Baixo São Francisco nos idos de 1.800 perfazendo uma das Histórias mais lindas do Estado de Sergipe quando tinha economia pujante, grande comércio de mercadorias, as belas embarcações chamadas de canoas de toldas e os campos de arroz.

Propriá tem cultura, tem história e memória. O que resta é o começo de um trabalho nesse sentido.

Por Adeval Marques
Graduado em História / Unit
Membro do CCP: Cento de Cultura de Propriá
Fundador dos sites: Propriá News e Revista Sergipe News

 

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