O cenário musical em Propriá

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“O aplauso que falta”

Em janeiro de 1992, acontecia mais uma edição da festa de Bom Jesus dos Navegantes na cidade de Propriá. Uma programação maravilhosa que abrilhantou ainda mais as noites da cidade, as atrações me fogem um pouco da memória na íntegra, porém uma em especial jamais seria esquecida, pois o show de Alceu Valença, me fez mobilizar minha família a vir comigo, eu ainda criança ansiava por vê-lo ao vivo, e minha pouca idade me impossibilitava assistir o show próximo ao palco.

A festa anual da cidade ribeirinha, já muito afamada na região e quiçá no Brasil, tinha em sua programação o “Encontro Cultural”, título sugestivo já que reunia várias práticas culturais na semana principal da festa. Com isso o fluxo de turistas na cidade era grande.
Óbvio que o show de Alceu Valença, e outros artistas a nível nacional, atraiu um público considerável, muitas palmas eufóricas, e a cada show concluído, ficava um gosto de “quero mais”.

Chamo a atenção para a festa do ano de 92, porque foi a que me causou mais expectativa, e a qual eu tive o privilégio de realmente vivenciar. Não me recordo de atrações locais naquela noite, portanto os aplausos eram estridentes, e o público era imenso! Não tenho dúvidas que, se fossem artistas da terra não haveria tanta repercussão.

Nos acostumamos a aplaudir e vibrar pelo que não nos pertence. Só é um grande evento se os artistas forem de fora da cidade ou estado.

As despesas com grandes festas, pagando cachês horrendos a artistas, que talvez nem valorizem tanto a região e a arte, o amor à cultura as vezes se esconde atrás de uma cortina chamada “ambição”, do “eu sou melhor, sou famoso e o meu show é melhor”!

Olhando por esse ângulo não tenho dúvidas que é possível realizar grandes eventos musicais, usando as pratas da casa, sem precisar de verbas absurdas e investimentos incalculáveis. Há alguns cachês de alto nível no mercado, daria pra realizar uma semana de festa com nossos artistas, o que seria maravilhoso para a cidade e pra os grandes cantores e cantoras de nossa região. Valorizaria, serviria de exemplo e sem dúvidas uma bela “vitrine” para os muitos turistas.

Mas o que entristece, é que se fossem artistas da terra, o público já não seria uma multidão e os aplausos, ficariam escassos, pois pra muitos só vale se tiver o selo de garantia, “nível nacional”, os artistas famosos merecem aplausos, igual aquele que está se apresentando pela “primeira vez”.

O poeta diz:”o artista vai aonde o povo está”…

É verdade, a importância e atenção do público para com os artistas é fundamental. O cantor precisa de público, e é motivado pelas palmas, isso é valorizar, apoiar e torcer pelo sucesso do “conterrâneo”.

O poder público deve sempre enfatizar mais a política cultural, analisando melhor a presença de nossos artistas em eventos municipais e sempre impussionar ao lugar de destaque, fazendo sempre uma bela divulgação e pagando um cachê digno de um artista, que merece respeito e atenção especial, pois leva o “selo de garantia” de Propriá e do estado sergipano.

Administrador do G.H.M;
Renison Felix Alves
Foto: Coreto de Propriá, Página do Facebook: Propriá-Sergipe (Divulgação)

Observação:
A Coluna “Música e Cultura” é de autoria e responsabilidade de Renison Felix, cuja produção intelectual vem expressar as opiniões e pensamento do autor.
O site Propriá News viabiliza o espaço informativo não respondendo pelo pensamento do autor.

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