Unicef: pobreza pode causar morte de 69 milhões de crianças até 2030

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De acordo com estudo da entidade, 167 milhões de crianças devem viver na extrema pobreza neste período. Problemas consistem em circunstâncias em que nasceram, país de origem, comunidade e gênero

São Paulo – O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) publicou ontem (28) o relatório intitulado “Situação Mundial da Infância 2016: Oportunidades justas para cada criança”, que apresenta um panorama do futuro da infância em regiões ou classes mais desfavorecidas. Os principais dados do documento alertam que, até 2030, 167 milhões de crianças devem viver na extrema pobreza, e que 69 milhões, com menos de 5 anos, morrerão de causas evitáveis.

A entidade apela para que governos, doadores, empresas e organizações internacionais aumentem os esforços para atender às necessidades de maior igualdade no mundo. Na educação, outro exemplo marcante, 60 milhões de crianças em idade escolar não terão acesso ao ensino. “Negar a centenas de milhões de crianças oportunidades justas na vida faz mais do que ameaçar seu futuro, alimentando ciclos intergeracionais de desvantagem: coloca também em perigo o futuro de suas sociedades”, afirmou o diretor-executivo do Unicef, Anthony Lake.

“Nós temos uma escolha: investir nessas crianças agora ou permitir que o nosso mundo se torne ainda mais desigual e dividido”, completou Lake. Entre os locais mais problemáticos do planeta, se destaca a África Subsaariana, onde duas de cada três crianças vivem na pobreza, privadas do que precisam para se desenvolver. Nesta região, entre os 20% mais pobres, 60% dos jovens de 20 a 24 anos estudaram menos de quatro anos em suas vidas. Caso o panorama se confirme, em 2030, o local deve concentrar nove em cada dez crianças vivendo na pobreza extrema.

O relatório destaca que a natureza do problema apenas possui relações com as circunstâncias em que nasceram, o país, a comunidade e o gênero. O calculo é de que aproximadamente 750 milhões de crianças mulheres terão se casado. Lake destaca que é preciso quebrar o ciclo de desigualdades no qual parte da infância do mundo está submersa. “Devemos reconhecer que o desenvolvimento só é sustentável se puder ser levado adiante – sustentado – pelas gerações futuras.”

“Temos a oportunidade de substituir círculos viciosos por círculos virtuosos, nos quais as crianças que vivem na pobreza, se tiverem oportunidades justas em saúde, educação e proteção, possam, quando adultas, competir, no mesmo nível de igualdade com crianças vindas de contextos mais ricos”, destaca o documento. Para tal, políticas públicas voltadas a essa população precisam ser tomadas. “Quando ajudamos um menino a ter acesso a medicamentos de que ele precisa, não estamos somente aumentando suas chances de vida, mas também diminuindo os custos econômicos e sociais associados a saúde precária e produtividade baixa.”

Por fim, o relatório indica cinco maneiras para mudar tal panorama sombrio: “Aumentar as informações sobre aqueles que foram deixados para trás; integrar esforços em vários setores para enfrentar as múltiplas privações que prejudicam as crianças; inovar para acelerar o processo; investir em equidade e encontrar maneiras de financiar esforços; envolver o mundo todo, começando com as comunidades, empresas, organizações e cidadãos”.

RBA

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