O BRASIL NA MANHÃ DESSA SEGUNDA- FEIRA

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O BRASIL  NA  MANHàDESSA SEGUNDA- FEIRA

Caso tenham algum juízo, nem o grupo que sair vencedor nessa  batalha do impeachment  fará ruidosas comemorações nem o grupo perdedor fará ruidosos protestos.

Em qualquer um  dos dois casos,  na manhã dessa segunda-feira o Brasil acordará de ressaca. E não será uma ressaca cívica. Apenas, uma espécie de enjôo, de asco ou cansaço, uma sensação talvez de alívio esperando que a conflagração política dê lugar a um armistício, ou apenas a uma trégua, para que se possa fazer o esperado encontro com a sensatez, e o personalismo, os interesses grupais, os ódios, cedam espaço ao diálogo. E assim,     se possa fazer um   grande mutirão para rejuntar as energias difusas dos brasileiros, e, com elas, construir um projeto de Brasil. Isso não será possível se os políticos  não descobrirem, em hora oportuna,  que os parlamentos não comportam  o desvario irresponsável de torcidas organizadas.

E a undécima  hora  para essa descoberta fundamental, será  na ressaca dessa segunda – feira.

Perdendo, Dilma não deveria esperar o veredicto  do Senado, que  a transformará em presidente afastada. Antes, ela deveria negociar uma renuncia organizada, pactuada, avalizada através de um consenso político, que  começaria com uma indispensável e republicana conversa entre a Presidente sobrevivente, e o seu magoado Vice.

Vencendo Temer, hipótese agora com 80 % de probabilidade, ele teria de ser um daqueles Estadistas   que a nossa História   assinala com tanta parcimônia, chegando a registrar no máximo 5,  desde quando, um marechal monarquista após o trote incerto no seu cavalo baio, nos legou a  República, agora aos 127 anos, e tão anacronicamente desesperançada.

O VELHO AS CRISES E A ANÁGUA DE ENTRETELA

A criança ouviu, sem muito entender, no  rádio branco de fabricação suíça o Repórter Esso, em edição extraordinária, anunciar que a Alemanha se rendera.  Na Europa a guerra ( 1939- 1945) acabava.  Era a manhã de 8 de maio de 1945. Logo, a festa nas ruas, a revoada de aviões, o sino da catedral e o foguetório, marcavam o fim da sacrificada e heróica crise da guerra.  Meses depois,  o retorno de parentes  . Eles   voltavam com as cicatrizes do sofrimento, e o riso largo de vencedores.Lutaram contra ditaduras, e aqui, um ditador os recebia.

Viria,  depois, a crise logo superada da deposição do ditador . A criança não compreendia aquelas coisas, só soube que Getúlio Vargas deixara de ser tão importante, porque o pai que ao ir ao sanitário sempre dizia: ¨Vou enviar um telegrama ao Getúlio ¨, naquele dia, lamentou, porque   o ¨ telegrama ¨ não teria mais destinatário. Meses antes, a criança sentira o que era de fato a crise permanente de uma ditadura . Foi quando   o pai sumiu ,  sem que lhe dissessem para aonde  ele fora.  Pressentia que algo estava errado. A mãe escondia o choro e as pessoas apenas murmuravam a esconder, dele, que o pai  estava preso.

 O adolescente ouviu, agora no rádio potente  da radiola  Standard- Electric ,  outra vez pelo Repórter Esso em edição extraordinária, a noticia: ¨ O presidente Getúlio Vargas matou-se com um tiro no peito. ¨  Em seguida,  Heron Domingues lia a Carta Testamento. Era  a manhã de 24 de agosto de 1954.  O menino, que hesitava entre  leituras de um volume condensado de O Capital,  as Seleções do Reader`s Digest, e o anarquismo difundido por um jornal de periodicidade incerta, editado na Costa Rica, o El Sol, ficara, também, fascinado com o discurso moralista de Carlos Lacerda, as  denúncias sobre o ¨ Mar de lama que corria nos porões do Catete ¨, e, até torcera para que a mazorca da  ¨ República  do Galeão ¨ consumasse  o golpe contra o presidente eleito, e no último ano de mandato. Entendeu, então, que daquela vez Getúlio fora a vítima  .   Lutava por um projeto consistente e transformador de desenvolvimento econômico e social em bases nacionalistas, com plena soberania sobre nossos  recursos naturais,  e isso desagradava  às elites econômicas e políticas ,  também militares, que viam comunismo por todo lado.  Não tardou, o adolescente estava  no meio daquela horda de raivosos  que encheram as ruas, armados de paus e pedras,  vingadores de Getúlio, ¨ o pai dos pobres ¨. Houve tiros, um trucidamento,  feridos.   O menino logo voltou para a casa com  testa sangrando, e a convicção de que Getúlio fora vítima de uma conspiração  dos inconformados com o progresso social. Abominou Lacerda,  nunca mais leu Seleções. A crise amainou, mas tornou-se cíclica.

Meses depois, a crise da ¨ novembrada .¨ Os tanques saíram  da Vila  sob as ordens do Ministro da Guerra Teixeira Lott, que pôs em fuga o fantoche  presidente da Câmara, Carlos Luz. Ele assumira a presidência depois da ¨  doença cardíaca ¨ do vice presidente Café Filho,  que preferiu transferir a

 responsabilidade  pela ruptura institucional ao presidente da Câmara , um golpista, mas não  cínico, farsante e mentiroso, tipo Eduardo Cunha. Do Ministério da Guerra saiu a explicação canhestra  para o golpe: Fora feito para   ¨ reconduzir o país aos quadros constitucionais vigentes ¨.  Assim, Juscelino,  um dos nossos raros  Estadistas, eleito com menos de 40 % dos votos,  numa eleição com 5 concorrentes e sem segundo turno , teria a  posse assegurada. O adolescente festejou o desfecho da crise, no Atheneu, sob os olhares severos, todavia tolerantes, do diretor Padre Mendonça, que parecia não estar gostando nada daquilo.    Naquela noite  de 11 de novembro em que o pai, cercado de amigos comemorava o aniversário,  também erguendo  brindes ao general Lott  e à sua ¨espada  legalista ¨, o adolescente teve direito a uma só dose de uísque,a primeira, a quebra da virgindade alcoólica. A outra, seria quebrada meses depois, pela condescendência de uma   recatada senhora. Ela apertava numa das mãos o terço que acabara de   dedilhar na última noite festiva de encerramento do Congresso Eucarístico, na Praça da Bandeira, em cujas redondezas, escuras, transcorreu  a  ¨ crise ¨ das anáguas de entretela engomada, sob a comprida saia de seda  branca . Felizmente,    sem traumas posteriores.

  Daí em diante, crises sucessivas, mas o Brasil entrava   no ritmo trepidante de progresso , otimismo , criatividade.   Tempo  da Bossa Nova, da Garota de Ipanema, do biquíni, da ascensão da mulherada rebelde a demolir preconceitos, da SUDENE, dos carros nacionais, de Brasília,  também, das rebeliões de Jacareacanga,  Aragarças  , dos desatinos verbais de Carlos Lacerda, enquanto  Prestes passeava livre pelas ruas do Rio de Janeiro.  JK preservava a democracia,  sendo tolerante,  anistiando os rebelados para poder dar   ao Brasil 50 anos de progresso em 5 de mandato , tal como prometera.

Veio Jânio com  a sua  vassoura  tresloucada ,   novo símbolo de uma crescente classe média, sempre  disposta a acreditar nos   ídolos ôcos de pés de barro.

Janio renunciou. Estava de porre, e ai a crise foi feia. Beiramos a tragédia de uma guerra  civil. Então o adolescente já era homem.

 Depois  de muito espalhar panfletos pela cidade, e ir  dar plantão   na Prefeitura ao lado do prefeito  Conrado,  que resistia ao golpe,  terminou  coercitivamente, ( palavra da moda )  levado ao quartel do 28 º BC, para ouvir, na madrugada, sob a luz intensa de holofotes na cara, os ¨ conselhos ¨ do coronel Bragança. Viu a crise terminar com  a habilidosa solução do parlamentarismo, evitando-se o derramar de sangue, mas não se conformou com o que entendia como  ¨acomodação burguesa.¨

Depois,  a crise mais longa, a iniciada em março de 64. O jovem tentou algumas ousadias, claramente insensatas .  Começou  o período autoritário,  a manutenção pela força de um estado permanente de crise. E a saída se fez pelo esgotamento de um modelo que os principais chefes militares reconheceram ser impossível  manter, quando a sociedade dele se mostra antagonista.

O impeachment de Collor , foi, antes desta, a crise maior após a redemocratização.  Então,

 o jovem já não  era tão  jovem, todavia, entusiasmou-se, juvenilmente com  os ¨ caras- pintadas ¨.   Collor,  havendo perdido a arrogância,  montara um ministério de pessoas ilibadas e capazes, assim, deveria ter concluído  o  mandato.

Os cabelos brancos, as rodadas pelo mundo ,  a vida vivida, com a ânsia de aprender,  de agir, de não ver simplesmente o tempo passar na janela, fez o velho concordar com Raul Seixas,  ¨ preferindo ser uma metamorfose ambulante, do que ter idéias velhas sobre tudo.¨ O velho votou em Lula várias vezes, em Dilma duas. Na ultima, já descrente, mas, com uma ligeira esperança, logo desfeita com as primeiras atitudes da presidente.

Por isso, o velho  que nunca foi prisioneiro de dogmas, sejam ideológicos ou religiosos,

 nesta,  que espera ser a última das crises que atravessou na vida, continua sendo  brasileiro esperançoso, acreditando que o bom senso vai prevalecer, e Temer, que inevitavelmente será o sucessor de Dilma,  embora de forma traumática e duvidosa, consiga  condições políticas para superar o trauma e a crise, desde que não se faça refém do calhorda, gatuno e salafrário Eduardo Cunha, e de tantos outros iguais a ele, e dele aliados, e entenda que o Brasil é maior do que partidos ou ambições pessoais. Por isso, se faz imperioso um acordo, um pacto, uma acomodação,   ou seja lá o que for, contanto que  se evite a escalada dos radicais. O Brasil precisa de  esperança, confiança e paz, para construir um projeto que englobe geopolítica e, sobretudo, a nova forma de  protagonismo ,  que é a geoeconomia, a afirmação do poder através da capacidade de produzir, de inovar, de compatibilizar progresso com meio ambiente; de unir a criação da riqueza à necessidade de bem redistribuí-la. Somos, na essência, um povo generoso, e temos tudo para, nos próximos 20 anos, figurar entre as cinco maiores potencias globais, com o traço característico de tolerância multirracial e multicultural, que nos faz diferenciados pelo  exemplo.  Poderemos, entre os vizinhos, exercer  uma hegemonia benevolente, influindo, sem impor nem dispor, e projetando nossa capacidade de viver e de conviver pelo mundo. Essas  coisas, sabemos fazer muito bem. Criatividade e jeitinho não nos faltam, mas, precisamos voltar a crer no Brasil, e em nós mesmos. Que o impeachment,  não se transforme em caça às bruxas. Uma democracia não se consolida  vomitando preconceitos, como

 esse,  agora recorrente, de que um partido ou partidos, se transformaram em pragas, e que é preciso exterminá-los.  Como sensatamente disse FHC , partidos só crescem ou se extinguem através de eleições. O Brasil será  maior na medida em que for  mais justo , assim,  Bolsa  Família  é  irremovível enquanto durar a miséria, e  para acabar com ela não há fórmulas milagrosas, como a estatização de tudo, a expropriação dos ricos, a eliminação do agronegócio, ou revoluções, muito menos a adesão incondicional ao mercado, ao cassino financeiro global.  Finalmente,  é preciso que se tenha bem claro, que direita, centro, esquerda, são parcelas inseparáveis do jogo político democrático , e devem se revezar tranquilamente no poder, sem           que isso cause convulsões, até porque, com essa rotatividade, os extremos,  tanto  da direita  como da esquerda, estarão neutralizados.

UMA BOA NOTÍCIA

A participação do Juiz Sérgio Lucas na lista de nomes respeitáveis para escolha do novo desembargador, vaga criada com a aposentadoria do exemplar Cláudio Déda ,  é   uma boa notícia. Sérgio é  jovem,  tem a característica de ser rigoroso nas funções, esportivo na vida,  encontrando tempo para ser músico, compositor, poeta e cantor. Não precisa de sisudez para exercer a autoridade. Pedala sua bicicleta indo ao trabalho, ou pilota uma moto. Nas comarcas   fez amigos, sempre envolveu-se com a comunidade, e além de julgador se fez  conselheiro e orientador. Nada melhor pode fazer um magistrado.

EDSON  ULISSES E A  SABEDORIA POPULAR

O desembargador Edson Ulisses  é  homem movido por  curiosidade  intelectual que o leva a percorrer  diversificados campos da cultura. Ser humano repleto de boas qualidades,  carrega consigo o  sentimento telúrico de descendente de  tribo arraigada às barrancas do São Francisco. Tendo produzido trabalhos literários e jurídicos, sua maior especialidade, Ulisses enveredou pelos caminhos fascinantes do folclore.

Nessa terça,  19,  Ulisses  lança no Museu da Gente Sergipana, ao começar a noite, o livro Sabedoria Popular. Tem prefácio de Marcos Melo, que se revela  ornitólogo amador descrevendo  os hábitos especialíssimos do João de Barro e sentida homenagem de Edson a Marcelo Déda. Sabedoria Popular  leitura atraente, é o resultado de alongadas pesquisas pela criatividade e os fazeres do povo,  trilha percorrida por Carvalho Déda onde se espelhou  o autor.

O MANIFESTO DA MAÇONARIA

O Grande Oriente do Brasil, liderança maior das maçonarias do país, divulgou  manifesto defendendo a manutenção das ações contra a corrupção no setor público. O manifesto é assinado pelo Grão Mestre Geral Marcos Jose da Silva e  todos os Grão Mestres estaduais, entre eles o de Sergipe, Lourival Mariano de Santana. A Maçonaria é uma instituição composta por representantes de todos os segmentos da sociedade.  No Brasil,     esteve presente em todos os grandes episódios da nossa História, desde a independência em 1822.

¨ Alguns trechos do manifesto:  ….¨ Os fatos amplamente noticiados e apurados até aqui demonstram a contaminação de serviços e atividades públicas,  por uma rede que pautou suas condutas contra o interesse público, em claro desserviço, não somente às instituições republicanas, mas sobretudo à sociedade e, em especial, aos menos favorecidos e carentes de educação, saúde, segurança pública e infraestrutura  com qualidade. ¨

……….. ¨ Sabemos que não existe lei que faça qualquer indivíduo ser honesto, pois isso é uma questão de princípio e na administração publica não é uma virtude –é antes de tudo um dever – razão pela qual manifestamos o irrestrito apoio aos órgãos federais, especialmente à Polícia Federal, ao Ministério Público Federal, ao Poder Judiciário Federal e a todos os seus dignos representantes, diretamente envolvidos e comprometidos com o dever de investigar e aplicar a lei, indistintamente e independente de partido, ideologia ou condição social a todos os que praticaram crimes contra o povo brasileiro, devendo ser fomentado o absoluto respeito às instituições democráticas de Estado .

Temos a convicção de que a partir da resolução desses episódios  da vida pública, reencontraremos o caminho da República que todos desejamos para a estabilidade democrática, o respeito e a prática dos princípios da administração pública, o equilíbrio da economia e o bem – estar do povo.¨

UMA CLÍNICA NO ÔCO DO MUNDO

Entre Canindé e Poço Redondo fica um aglomerado humano distante, isolado quase, das duas sedes municipais. Seria o ôco do mundo se ali não houvesse a atividade florescente do jacaré- Curituba, primeiro assentamento com irrigação, iniciado por Albano, continuado por todos os governadores, e agora concluído e sendo atualizado por Jackson. Lá, nessa área até contestada, o prefeito Heleno Silva resolveu fazer uma grande  Clinica a que deu o nome de Marcelo Déda. É obra que deixou impressionado o governador Jackson  e a viúva de Déda Eliane. Ela fez um emocionado discurso, dizendo que ali estava o sorriso de felicidade de Déda.   Terão serviços médicos os moradores do local antes no ôco  do mundo, entre os dois municípios, o objetivo de Heleno, e tão bem recebido pelo prefeito de Poço Redondo Roberto Araújo. Jackson, embora preocupado com os rumos do impeachment, estava  feliz. Acabara de visitar em Socorro, ao lado do eficaz Secretário da Educação  Jorge Carvalho duas   escolas, quase concluídas, todas com laboratórios de química, física, matemática e biologia, depois, a visita em Canindé às obras  da Orla da Prainha, projeto arquitetônico leve , acolhedor, um reforço ao turismo,  prova da eficiência do Secretário  Adilson Junior. O engenheiro Luduvice, da  HECA, assegura que a Orla estará pronta em  4 meses.

Por Luiz Eduardo Costa

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