REFLEXÃO: OS TREMORES DE TERRA NO BAIXO SÃO FRANCISCO E A POLÊMICA DA USINA NUCLEAR NA REGIÃO

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“O que diriam os índios primeiros habitantes do Baixo São Francisco, os Tupinambás – Tradução: Filhos dos primeiros pais -, se acaso ainda vivessem por aqui e fizessem uma reflexão observando toda devastação ambiental e situação que envolve o seu Opará? Após a chegado dos exploradores europeus os índios – tribos – que preservavam o meio ambiente teriam grande lição à nos dar. Embora os estudiosos digam que “… de tempos em tempos a terra de reinventa […]” o que de fato acontece é que estamos acabado com essa casa-mater.  O Baixo São Francisco agoniza e a natureza vem em favor com a mensagem dos tremores que são sentidos em todo Baixo. Triste solidão do Baixo Opará.” – Do livro “A solidão do Baixo São Francisco”. Marques Fernandes, Adeval. (Ainda não publicado).

O tremor que assustou

No último final de semana, especificamente no sábado 13/02, a população de vários Município na região do Baixo São Francisco, ficaram assustadas com um tremor registrado na região que teve duração de apenas, míseros três segundos, entretanto, a sensação que eles relataram não foi das melhores.

Os Municípios atingidos

Os Municípios de Sergipe que foram atingidos, segundo as reportagens das TV´s SBT-Sergipe e TV Globo-Sergipe, foram os de Canhoba, Cedro de São João, Nossa Senhora de Lourdes, Gararu, Propriá e Telha . Do lado do Estado de Alagoas, cinco Municípios, ocorreram na cidade histórica de Porto Real do Colégio, São Bráz, Traipu, Campo Grande e Olho D´agua. Uma casa teve a parede rachada, em outra a tampa do contador de energia foi arrancada e até uma caixa d´agua foi danificada com a força do tremor já na outra. Foi assustador para um povo pacato e sem conhecimento da situação.

O que dizem as autoridades

Ainda não foi emitida uma nota dos órgãos sobre o fato e isso implica em grande falha das nossas tecnologias e responsáveis que ocupam tais setores porque a sociedade precisa ser informadas de fatos como esses. É grande falha.

Histórico dos tremores

Não é a primeira vez que ocorre nas regiões. Em Sergipe o fato repete-se nos mesmos locais, ou seja, Cedro de São João, Gararu e Propriá. Já são sucessivas vezes e sempre a imprensa noticia e pouca informação das autoridades no assunto é trazida a luz do conforto dos simples mortais do Baixo São Francisco. Em todo semiárido já foi registrado

Vem-me a pergunta, como sou ignorante no assunto, sobre o que causaria esses tremores já percebidos de tantos tempos para cá? Nós teríamos uma pequena falha geológica? Deslocamento de placas? O que seria? Queremos saber. Gostaríamos de saber nesses últimos anos de surgimentos misteriosos na natureza e no espaço.

Instalação de Usina Nuclear no Baixo São Francisco

Diante das colocações nos vemos na reflexão de pensar sobre a instalação da usina nuclear no Baixo São Francisco. Os chinezes já estiveram no Povoado Bonsucesso – Poço Redondo – averiguando a região, pois lá é tido como solo seguro. Outro lugar escolhido para análise é o de Gararu. Justamente lá foi registrado/sentido o “pequeno” tremor, como disse na “reportagem” da TV. É uma mensagem dos céus? Dizem os antigos que Deus nos envia recados por meios diferentes. A natureza nesse caso teria sido usada como mensageira? Seria um aviso?

Um debate na Jornada Pedagógica com Luiz Eduardo Costa e Damião Rodrigues

De Canindé de São Francisco, em uma palestra feita pela Secretaria Municipal de Educação na chamada “Jornada Pedagógica”, o assunto usina nuclear, que não estava previsto no debate, ganhou o foco maior da discussão e lá estava um velho escritor-jornalista de nome Luiz Eduardo Costa. Em sua análise, muito bem argumentada, ele colocou bem os favores e benefícios de se ter uma usina nuclear em Sergipe porque é preciso avançarmos ou então ficaremos para trás. Na sua defesa as usinas nucleares são seguras e a eletricidade já não mais supre as nossas necessidades. Arrancou aplausos! Do outro lado um jovem estudante de História, Damião Rodrigues, filho do mesmo Povoado Bonsucesso, falava contrário a instalação da usina seja onde for e deu inúmeros exemplos. O debate foi amplo e promete ganhar espaço pelos movimentos de defesa do Baixo São Francisco. A sociedade prepara-se para dizer “Sim” ou “Não” pela instalação da usina. Antes porém é preciso enumerar  tantas questões que devem ser colocadas para o pouco conhecimento público de um povo que, segundo o escritor Érico Veríssimo, tem sido a história do sofrimento.

O homem no centro 

O homem tem feito coisas maravilhosas. A ciência tem evoluído muito. Os capitalistas ficam mais ricos com suas fábricas. O meio ambiente cada vez mais sem meio. O planeta aquecendo. As geleiras derretendo. Os animais entrando em extinção. E em meio a todas essas questões nos perguntamos: Para quê? Qual o usufruto de ter agora e deixar para o futuro a responsabilidade de pagar a dívida? Estamos roubando do futuro quando na verdade podemos diminuir a ganância do agora. Como disse o próprio Luiz Eduardo Costa: “O homem é o único ser que, se entrar em extinção, a terra não sentirá falta” – Luiz Eduardo Costa.

Uma pequena reflexão 

Eu, pequeno aprendiz de escritor e pensador, coloco que o tema seja levado às escolas numa maneira de envolver os alunos que são donos do amanha. Não podem ser herdeiros dos nossos erros. Prefiro acreditar que os tremores de terra que estamos sentindo nessas últimas décadas são sinais de que algo deve estar acontecendo em nossa natureza e que precisamos repensar, urgentemente, nossa rota de assassínios da natureza. A missão maior seria deixar essa casa – mãe Gaia (Terra) – um pouco melhor do que quando a encontramos. Se nada for feito para rever o que estamos destruindo a natureza nos cobrará e todos pagaremos a conta não ficando nada para o amanhã. Quem sabe os céus estão em favor de que a instalação da usina nuclear o Baixo São Francisco, O Grande Opará, é um erro.

Da redação

Adeval Marques

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