DESCASO COM PATRIMÔNIO HISTÓRICO DE PROPRIÁ

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A antiga estação de trem da cidade de Propriá, que sua última utilidade foi a de abrigar uma unidade do Exército Brasileiro – TG 06-016, ou Tiro de Guerra -, está abandonado como prédio que faz parte do patrimônio público histórico da cidade correndo aos olhos vistos de todas as autoridades locais: Prefeito, Câmara Municipal de Vereadores, Justiça e do olhar morto de uma sociedade que parece ter perdido a capacidade de se indignar. Indiscutível questionar o grau de irresponsabilidade sobre isso.
O local, que se devidamente zelado, poderia abrigar uma escola, órgão público, centro de treinamento, casa de apoio ou inúmeras outras aplicações, vem sendo usado por usuários de drogas, prostituição e finalidades do submundo que se possam imaginar. Para alguns moradores antigos das proximidades o que mais gera constrangimento é ver o “antigo Tiro de Guerra, a antiga estação” no estado em que se encontra, sem que os legítimos representantes do povo se manifestem em dizer algo ou cuidar de um dos patrimônios mais importantes da cidade.
Segundo a informação de um Historiador da cidade o prédio é tombado pelo IPHAM e deveria ser preservado porque guarda o valor material e imaterial da cidade e seu povo. Segundo informou o prédio foi abandonado à própria sorte servindo de palco de inúmeras situações ruins decorrentes da “falta de responsabilidade, administração pública atual, amor pela História e povo”, relatou indignado o cidadão. “É difícil de acreditar que estamos vendo tudo isso acontecer em nossa cidade que já foi chamada de Princesinha do Baixo São Francisco. A cidade de tantos personagens ilustres e até um grande jurista do nosso País. Hoje passo ao seu lado e é como se estivesse me pedindo ajuda para continuar ai dizendo que faz parte da cidade. Lembro de meus filhos saindo todas as manhãs para ir ao Tiro de Guerra fardados e voltarem com altivez. Hoje o que vejo é um monte de escombros, mato, sem portas, teto ruindo e um entra e sai sem fim […]. Infelizmente não sou nada e os que são nada fazem para mantê-lo vivo”, concluiu constrangido.
Na manhã do começo de mês de outubro, ainda muito cedo, as paredes grossas da parte da frente do prédio ruíram indo ao chão sem deixar vítimas. Hoje toda estrutura está condenada e sua recuperação, para manter a arquitetura da obra, requeria um trabalho de restauração geral e de dedicação financeira. Ao que parece não é intenção do atual gestor do Município, Prefeito José Américo (PSC) que não tem identidade social e nem cultural com a terra. Zé Américo é hoje, na ótica de muitos cidadãos, o pior Prefeito que a cidade já teve.
Descaso e falta de amor é o que não faltam por parte do Prefeito, diz uma moradora antiga. Prédios públicos que fazem parte do patrimônio local existem por todos os lados sem que sejam zelados. Um dos exemplos é a antiga fábrica de tecidos que foi construída por Hercílio Berenguer Britto – 1912 -, aliás, um dos maiores Prefeitos que a cidade já teve. Homem que promoveu a cidade para ser conhecida por Princesinha do Baixo São Francisco. O Beco do Taboão que é uma das ruas históricas da cidade; Viaduto José Távora e o antigo Fórum são só exemplos dessa era de descaso em Propriá sem que nada seja feito. Vive-se uma falta de líderes locais e pura constatação da capacidade de se indignar pelos moradores de um dos maiores meios intelectuais do Estado. Por que estão de braços cruzados?
São dias tristes em que vive uma das cidades mais bonitas do Estado. Berço de ilustres; com suas ruas antigas, igrejas em estilo barroco, religiosidade forte, banhada pelo Rio da Unidade Nacional – Rio São Francisco -, das várzeas de arroz, dos cinemas, coretos, praças e campos de futebol. O antigo relógio foi demolido para ser substituído por uma guarita sem a mínima utilidade. Onde Propriá se perdeu? Por que essa falta de amor com tão bela história e cultura?
Espera-se que ao menos ainda exista, mesmo que por um pequeno lampejo de clarividência da situação, que alguém, motivado por senso de amor e justiça à cultura e história de Propriá, se levante e tenta buscar, com base nas boas relações e diálogo, procurar soluções e ampliar o debate na sociedade acerca desses crimes contra a imagem, história, cultura, identidade e nome de um povo que contribuiu muito para o crescimento de todo o Estado de Sergipe e hoje se encontra em uma escuridão absoluta, mergulhado no absurdo da incapacidade de sentir e indignar-se por si mesmos. Se não se mantém a identidade histórica, nada pode ser lembrado e passado adinate.
Antiga Estação, patrimônio de Propriá: lamentamos muito.
Adeval Marques/Redação
Estudante de História/Unit – 6º Período.

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